Em minha trajetória pessoal e profissional, tenho a honra de reconhecer três figuras tutelares que, com sua sabedoria, dignidade e retidão, moldaram não apenas a minha formação jurídica, mas a minha própria visão de mundo, de Justiça e de Brasil. Refiro-me aos meus Mestres e mentores: o advogado Mário Jackson Sayeg, meu pai; o insigne jurista Celso Renato D’Ávila; e o eminente Desembargador Henrique Nelson Calandra. Três faróis em meio às sombras, cujas luzes, em uníssono, estão a iluminar, como sempre, minha caminhada.
Não por mero acaso, seus aniversários se celebram nos dias 14, 15 e 16 de julho, tríduo simbólico que consagra, neste mês abençoado, o valor da sabedoria, da experiência e da verdadeira consciência jurídica. O significado astral e espiritual desse alinhamento do céu é, para mim, uma dádiva divina. Um fluxo perfeito de Luz do universo na minha lenda pessoal.
Em tempos de incerteza e degradação institucional, é reconfortante saber que fui agraciado com tão magníficos mestres cuja autoridade moral e cívica transcende as dimensões do viver, dos tempos e do espaço, embora tenha que cumprir minha missão de contrapartida de defender as pessoas do povo.
Meu pai, o advogado Mário Jackson Sayeg, cuja memória sempre me acompanha e inspira, não foi apenas um notável operador do Direito. Foi em sua permanência terrena paradigma de virtude, coragem e misericórdia. Sua advocacia era um sacerdócio laico, conduzido com devoção pela Justiça e amor cristão pela humanidade. Professor Honoris Causa, consagrado em vida e honrado na eternidade, seu legado é mais do que jurídico: é ético, espiritual e patriótico. Ao seguir seus passos, não apenas exerço a profissão que ele dignificou, mas confirmo diariamente meu compromisso com o bem comum e com o Estado Democrático de Direito.
O professor Celso Renato D’Ávila, por sua vez, é a encarnação viva de meus valores e crenças. Ele é símbolo vivo da erudição lúcida, da ponderação refinada e da postura apropriada e combativa quando necessária. Homem de princípios, espírito sereno e mente afiada, ele representa a figura do jurista e advogado completo, aquele que alia teoria e prática, conhecimento e sabedoria, técnica e sensibilidade. Suas lições vão além, são princípios de vida, posturas de Cidadania, Direito e Justiça.
O Desembargador Henrique Nelson Calandra, por sua vez, representa a síntese do magistrado ideal: firme na convicção, imparcial no juízo e profundamente humano na aplicação do Direito. Seu amor pelas instituições e para com o próximo, seu compromisso com a magistratura digna, altiva e independente, são ensinamentos eternos. Seu exemplo honra o Judiciário e, hoje, a advocacia. Ele lembra aos operadores do Direito que a toga, mais do que ornamento, é símbolo de responsabilidade e de distribuição de Justiça em prol do cidadão.
A grandeza desses três homens reside, sobretudo, em sua condição de anciãos, no sentido mais nobre que essa palavra pode carregar. São guardiões de uma sabedoria humana, transmitido pelo testemunho, pela experiência e por um saber que não se improvisa. Num país tão carente de referências, tão seduzido pelo efêmero e pelo espetáculo, urge que os jovens saibam reconhecer o valor incomensurável dos mestres que vieram antes. É preciso reaprender a escutar os mais velhos, a honrar aqueles que nos legaram a liberdade, a democracia e a caridade.
Neste momento histórico em que o Brasil parece vacilar diante do abismo do populismo e da fragmentação moral, é à luz desses mestres que devemos recorrer. Que a força viva do meu pai, mesmo do outro plano, interceda por nossa nação e pelo povo, tocando os corações certos com o peso da verdade e da justiça. Que a sabedoria de nossos mestres seja semente de esperança e norte para as novas gerações e cidadãos.
Como advogado, jurista imortal da Academia Brasiliense de Direito e da Academia Paulista de Direito, Professor Livre-Docente de Direito Econômico da PUC-SP e do Insper, Doutor e Mestre em Direito Comercial, Oficial da Ordem de Rio Branco, dirigente de comissões jurídicas e defensor da dignidade humana, afirmo com veemência: sem a luz de nossos mestres, não há esperança para a civilização; sem a sabedoria e direção dos anciãos, não há rumo a seguir, o vôo é cego.
Digo com profundo orgulho: eu tive os melhores; e, cumpro meu dever de transmitir seus sagrados ensinamentos aos meus discípulos.
Obrigado meus Mestres!
Fonte: Diário de São Paulo