Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto um movimento que chama cada vez mais a atenção: o crescimento da previdência privada entre as classes C e D, justamente aquelas que historicamente sempre dependeram da Previdência Social como única fonte de renda na velhice.
Esse aumento reflete, em grande parte, a desconfiança generalizada no sistema público — o INSS — que, infelizmente, tem enfrentado uma série de problemas estruturais. Filas intermináveis, atrasos nos pagamentos e incertezas quanto à sustentabilidade do modelo atual têm levado milhares de brasileiros a buscar alternativas para garantir um futuro mais seguro financeiramente.
No entanto, faço aqui um alerta importante: a escolha por um plano de previdência privada, embora legítima e compreensível, precisa ser tomada com muito cuidado e, principalmente, com pleno conhecimento do que se está contratando.
Diferente do INSS, que tem caráter público e é garantido pelo Estado, os planos privados estão sujeitos às regras do mercado e à solidez (ou fragilidade) financeira das seguradoras. E é aí que mora o perigo.
Já atendi inúmeros casos de pessoas que, após anos de contribuição para entidades privadas, viram seus direitos simplesmente evaporarem. Empresas que arrecadaram por décadas venderam suas carteiras de clientes para outras instituições, que depois faliram e deixaram os segurados desamparados. Infelizmente, esse tipo de situação não é exceção — e não há garantia legal concreta de que não possa se repetir.
Esse fenômeno ainda se intensifica em um contexto de precarização do mercado de trabalho. Cada vez mais brasileiros estão na informalidade ou atuam como autônomos, o que os afasta do sistema público de previdência. Sem acesso facilitado ao INSS, muitos acabam recorrendo à previdência privada como solução rápida, mas, muitas vezes, sem ter a noção exata dos riscos envolvidos.
O que realmente falta hoje no Brasil é uma política séria de educação previdenciária. As pessoas precisam compreender que, por mais falhas que o sistema público apresente, ele ainda é a única garantia de pagamento vitalício, com respaldo do Estado.
Portanto, minha orientação é clara: antes de tomar qualquer decisão sobre o futuro da sua aposentadoria, busque informação de qualidade, faça um planejamento adequado e, sempre que possível, conte com o acompanhamento de um profissional especializado. O que está em jogo não é apenas um investimento, é a segurança da sua vida no futuro.