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VALE A PENA COLOCAR A SAÚDE EM RISCO PARA BUSCAR UM PADRÃO DE BELEZA? ATÉ ONDE CHEGAR? Por Dra. Alessandra Geisler

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Somos únicos! Nossa origem é resultado da união das características genéticas de nossos genitores biológicos, sendo metade de cada um deles. Irmãos e até gêmeos idênticos que possuem genética idêntica, não são iguais na personalidade, na forma de pensar e agir e isso é a beleza do ser humano porque temos fatores genéticos e não genéticos que nos influenciam.

A cor dos olhos, o tipo e cor dos cabelos, a estrutura da pele e até a nossa altura são determinados pela nossa genética. Claro que, como acima relatado, existem fatores externos que nos transformam e contribuem para o desenvolvimento ou não de certas características.

Por exemplo podemos ter uma genética para a obesidade, mas com um padrão alimentar e hábitos de vida saudáveis a pessoa pode equilibrar o peso e manter a saúde dentro da normalidade. E vice-versa. Se não existe uma tendencia genética para obesidade, mas a pessoa opta por uma alimentação rica em alimentos gordurosos, comidas processadas, é sedentário, tabagista, ela pode desenvolver obesidade e outras doenças metabólicas como diabetes, aumento de colesterol e triglicérides.

Existe um ditado popular que diz: “O ser humano está sempre insatisfeito e em busca de algo melhor”. Mas, por que essa busca por um padrão de beleza diferente do que fomos geneticamente programados? Claro que a busca pelo bem-estar é sempre válida, mas se nascemos com pele clara ou escura, cor dos olhos claras ou escuras, cabelo liso ou enrolado, devemos buscar alterar estas características em busca de nos sentirmos melhores?

Para estamos bem conosco o autocuidado é fundamental. Alisar ou enrolar o cabelo, deixa-lo colorido ou não, faz parte desse processo, assim como tomar um pouco de sol e ficar levemente bronzeado. Mas deve existir um limite para tudo isso de segurança que é  não colocamos em risco a nossa saúde para obter um resultado, principalmente estético.

A medicina sempre pesa nas tomadas de decisões o risco e o benefício. Em nossas vidas esta balança deve ser sempre avaliada quando nos deparamos em realizar qualquer intervenção em nosso corpo. Mudar o estilo do cabelo com produtos potencialmente cancerígenos vale apena? Usar uma tinta não aprovada pelos órgãos de vigilância sanitária pode gerar queimaduras graves, alergias, então…vale a pena o risco?

Por que estamos tão insatisfeitos conosco? Mudar o externo vai fazer com que o interior se equilibre ou isso será apenas uma distração para não nos aprofundarmos nas questões mais essenciais da nossa saúde mental?

A cor dos olhos é determinada geneticamente pela junção de 2 genes. Para os que se lembram das aulas de ciências da escola, a cor dos olhos escuros predomina sobre a cor os olhos claros, que são recessivos. Para os que não se lembram, a cor dos olhos pode ser escura ou clara e isso é determinado pela carga genética. Essa é uma condição mais rara pois depende que os genitores biológicos tenham olhos claros ou carreguem esse gene “escondido”.

Apesar da beleza dos olhos claros, eles costumam ser mais sensíveis, toleram menos a luz solar e a claridade por conter menos pigmento escuro, chamado melanina, em sua composição.

Recentemente nos Estados Unidos, apareceram alguns profissionais da saúde que estão “clareando” a cor dos olhos das pessoas – transformando o olho preto em olho azul, através de uma cirurgia.

É um procedimento rápido, eficiente e muito perigoso. É utilizado raio laser na camada da íris – parte colorida do olho – que queima e remove os pigmentos castanhos do olho, a melanina. A cirurgia dura cerca de 20 segundos.

A comunidade médica do Brasil, Estados Unidos e Europa condenam o procedimento pelos riscos de dano ao olho permanentes, como por exemplo o desenvolvimento de glaucoma que pode levar a cegueira.

Mesmo assim, pessoas estão buscando por este procedimento que além de perigoso é caro.

Então, porque mudar uma caracteristica genética colocando em sério risco a saúde futura? Antes de realizar qualquer procedimento, principalmente cirúrgico, devemos procurar informações técnicas, de fontes confiáveis sobre eficiência e segurança, saber das consequências a curto, médio e longo prazo. E, o mais importante é estar feliz com o que somos, com o que temos. Mudanças pontuais são bem-vindas, desde que a saúde esteja sempre em primeiro lugar. Sentir-se bem, feliz e estar saudável  é o mais importante!

Dra. Alessandra Geisler Daud Lopes

Doutora em Pediatria, Pediatra e Cardiologista Pediátrica

@dra.alessandrageisler

@kardio.clinica

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