Vivemos um pesadelo, recheado de notícias a cada dia mais inacreditáveis e difíceis de digerir.
Condenações exacerbadas por atos de vandalismo – assim pensa a população brasileira, após pesquisa realizada recentemente – que restou denominado de “tentativa de golpe”, se agravam frente a atitudes inadequadas da mais alta corte brasileira, totalmente desconectadas com os princípios que regem o comportamento que deveria ser conduzido pelos seus ocupantes, configurando verdadeira chantagem com os integrantes do Congresso, que parecem se dobrar ao medo de serem condenados por atos de corrupção que praticaram no passado recente ou remoto. Este jogo nos demonstra que está tudo errado.
Estas atitudes já eram visíveis, desde sempre, mas atualmente ficaram evidentes depois do julgamento e condenação kafkiana da cabelereira Débora, que transformou o batom em um símbolo da resistência e ao mesmo tempo da injustiça que já está sendo escancaradamente imposta a outras pessoas que manifestavam seu inconformismo em frente ao Comando Militar do Distrito Federal, à época.
Eu me pergunto onde estão as fotos desses insurgentes no momento da invasão do Congresso e do STF? Onde se encontra a materialidade do crime, individualmente? Mais de 1.200 pessoas foram presas, dias depois do fatídico 8 de janeiro. Foram retirados e recolhidos naquele galpão insalubre apenas para servir de exemplo para o restante da população?
Muitos questionamentos sem resposta.
Por que a imprensa não divulga a condenação, se houve, daqueles vândalos que realmente quebraram e depredaram o Congresso e o Supremo? A quem interessa fazer parecer que inexistem vídeos, apesar de terem sido largamente divulgados nas redes sociais e omitidos pela mídia? Os investigadores não tiveram acesso a esses vídeos?
Mais perguntas sem resposta.
A condenação da Débora se transformou em motivo de inconformismo e luta contra a injustiça.
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Parece que o batom que sujou a estátua da Deusa da Justiça desencadeou uma revolta nela, Temis, e propiciou uma grave injustiça por ter sido utilizado como arma um objeto tão amado pelas mulheres, o batom. Sim, um artefato secularmente utilizado no mundo feminino com o claro objetivo de se tornarem e se sentirem mais femininas e mais belas.
A Deusa da Justiça, contudo,representa o sentido da moral, da verdade, da equidade e da humanidade, colocada acima das paixões humanas. Ela não penalizaria a Débora.
Teria a cabelereira extrapolado ao escrever no peito da Deusa uma frase com batom, sujando o símbolo maior da Justiça e não embelezando seus lábios, local correto para utilização daquele artefato?
Sim, ela exagerou.
Naquele momento de forte emoção, talvez envolvida pelo fervor da multidão abalada com os acontecimentos que julgavam inaceitáveis e injustos, ela imaginou que houvera encontrado uma inspiradora forma para demonstrar seu inconformismo.
Não deu certo.
Ela reconheceu publicamente que houvera agido sob a pressão do momento. De nada adiantou seu pedido de desculpas.
Contudo, o responsável pelas duas palavras que foram escritas no peito da Deusa, recentemente tentou se retratar – vídeo publicado pelo Metrópoles –, pela fatídica declaração, além de algumas outras, sob a justificativa de terem sido ditas sob forte comoção e que assim não deveria ter agido. Ao contrário da penalização da Débora, poderia, a declaração, acima, ser amenizada e considerada fragilidade emocional de autoridade da mais alta Corte, que exerce cargo do qual se exige equilíbrio e controle mental e emocional, exposto que se encontra diuturnamente diante de questões jurídicas sobre as quais necessariamente se impõe, dentre outros, os princípios da imparcialidade e da moralidade?
A condenação da Débora se demonstra implacável e se for confirmada pelos demais julgadores daquela corte, fortalecerá o símbolo que revoltou unanimemente a população brasileira, em todos os segmentos, ideologias, idade, gênero, nível social, econômico e cultural.
Se não bastasse, este símbolo da injustiça atravessou oceanos, já recebendo apoio de mulheres alemãs, que, também revoltadas com o significado decorrente desta situação incompreensível divulgaram um vídeo demonstrando solidariedade a esta mulher, e, indiretamente, a tantos outros e outras que se encontram na mesma situação fático-jurídica, já condenados com penas exacerbadas e sem possibilidade de revisão frente a penalidades exaradas pela última instância do Poder Judiciário.
Recorrer a quem?
O nosso País vive um filme de terror e insegurança.
O inconformismo crescente da população brasileira vem impulsionando a mudança, e em decorrência, encorajando juristas, influenciadores, jornalistas independentes, e políticos, que parecem estar despertando para a necessidade de fazer valer o seu Poder.
Como únicos players, constitucionalmente instituídos, mesmo sob ameaças veladas e/ou ostensivas, cabe aos nossos representantes a missão de transformar a nossa História e restaurar a segurança do nosso País, dando um fim a este filme que já se configurou perigoso, injusto e insuportável. Não é esta história que queremos para o nosso Brasil.
Cabe a nós mudarmos o roteiro deste filme.
E vamos continuar lutando para que isto aconteça