Vivemos numa época em que, ao menor sinal de dificuldade, os pais correm em busca de um diagnóstico rápido para seus filhos. Uma criança agitada, desatenta ou irritada de repente vira “candidato” a uma etiqueta de transtorno. Mas e se o verdadeiro problema não for uma doença? E se o que estamos fazendo é moldar nossos filhos para um mundo artificial, que os prejudica, e depois buscar desculpas para os danos que causamos?
Antes de sair correndo para o consultório de um neuropediatra porque seu filho parece hiperativo, desatento ou irritado, faça um teste simples: retire as telas por um mês. Sim, sem tablets, celulares, videogames ou televisão. Experimente e veja o que acontece. A mudança pode ser impressionante.
Não estou aqui para negar a existência de transtornos reais como TDAH, autismo ou ansiedade infantil. Eles existem, e ignorá-los é um erro. Mas diagnosticar com base apenas em comportamentos isolados, sem entender a criança em seu contexto completo, é pura irresponsabilidade. Precisamos olhar para a criança como um ser integral: seu ambiente, sua rotina, a alimentação, o sono, a relação com os pais. Tudo importa.
Infelizmente, muitos profissionais de saúde, movidos pela busca por lucro ou pela pressão da demanda crescente, oferecem diagnósticos rápidos e receitas mágicas, sem investigar a fundo. Será que essas crianças realmente precisam de medicação? Ou será que elas estão clamando por mais tempo ao ar livre, por brincadeiras criativas, por disciplina amorosa e por menos tempo diante das telas?
Eu sempre digo: essa é a geração de pais que querem transformar seus filhos em um reflexo das doenças que diagnosticam. Orgulham-se de dizer que o filho tem TDAH, autismo ou outro transtorno, como se isso fosse algum tipo de status. Mas, será que esses pais estão realmente preocupados com o bem-estar dos filhos? Ou será que estão apenas buscando uma resposta fácil para justificar a própria negligência e falta de responsabilidade?
Se você não tem tempo para criar um filho, não tenha filhos. Simples assim.
Não faça filhos para os avós criarem. Não faça filhos para jogar no berçário o dia inteiro. Ter um filho exige tempo, presença e dedicação. Se você não pode dar isso, então não tenha. Porque filho não é acessório, não é boneco, não é responsabilidade de terceiros.
Crianças que passam horas a fio em frente às telas estão cada vez mais apresentando sintomas de atraso na fala, irritabilidade extrema, dificuldades de interação social, distúrbios do sono e crises de birra. Esses sintomas se assemelham aos de transtornos neurológicos e psiquiátricos, mas, na verdade, são apenas o reflexo de um mundo artificial e vazio, onde falta a experiência genuína e saudável da infância.
O mais assustador de tudo é ver tantas crianças indo para a terapia, enquanto quem realmente precisa de tratamento são os adultos responsáveis por elas. Antes de levar seu filho a um especialista, vai você, adulto, fazer terapia. Vai olhar para si mesmo, vai entender que muitos dos problemas estão em você. Porque, muitas vezes, o que falta não é o diagnóstico de uma doença, mas a cura daquilo que você ainda não se permitiu resolver. Se você não se enxergar e não mudar, o reflexo disso vai estar no comportamento de seu filho. Ele não pode pagar pelos seus vazios emocionais.
A infância está sendo roubada. A capacidade de ser criança está sendo destruída. Antes de rotular uma criança, devemos ser cautelosos. Avaliações precisam ser criteriosas, levando em conta toda a dinâmica familiar. Médicos, psicólogos e terapeutas devem agir com responsabilidade, orientando os pais a ajustarem a rotina antes de saírem distribuindo diagnósticos e receitas.
Se, após mudanças significativas, os sintomas persistirem, aí sim, um especialista sério deve ser consultado. Mas que esse profissional seja alguém comprometido com o verdadeiro bem-estar da criança, e não com a prescrição de remédios e diagnósticos fáceis.
Pais, parem de procurar doenças para seus filhos quando, na verdade, o que falta é presença, afeto e limites. Troquem os laudos médicos por mais tempo juntos. Troquem as telas por brincadeiras. Troquem a culpa pela responsabilidade.
Porque, no fim das contas, a pergunta que deveria atormentar seus corações não é se seu filho tem TDAH, ansiedade ou autismo. A pergunta que deveria martelar incessantemente na sua mente é:
Que tipo de adulto seu filho vai se tornar se continuar sendo criado nesse abismo de ausência de afeto, desconexão e descompromisso?
Se você não mudar agora, será tarde demais para qualquer diagnóstico. E então, seus filhos pagarão o preço pelo resto de suas vidas. Eles não merecem esse futuro. E você, como responsável por eles, não pode continuar se escondendo atrás de diagnósticos fáceis enquanto a verdadeira solução está em suas mãos. A mudança começa com você.