Daqui a pouco vou abordar a bomba do século no terreiro do Corinthians. Antes, direi aos meus leitores-internautas que os tempos mudaram praia esportiva. Agora, o romantismo se restringe à paixão dos torcedores nos estádios, ao som do radinho ou ligados nas TVs. Atualmente, o filme é assim: quem paga mais leva.
Prevalece o poderio de quem investe além dos limites para colecionar títulos e cantar alto nas comemorações. Os clubes mais poderosos gastam fortunas milionárias para ditar o andar da carruagem. No entanto, a cultura do planeta bola atribui as vitórias ou as derrotas aos treinadores. Que são bestas ou bestiais, como diria o lendário e imortal Otto Glória. Os placares é que os definem, segundo a teoria manjada e repetitiva dos cronistas de resultados. Muitos nem sabem que a bola é redonda e a enxergam quadrada.
Vamos ao ponto que mais interessa. A contratação do atacante Memphis Depay, oficializada nesta sexta-feira (06) entre o Corinthians e o staff do astro holandês, ocorre coincidentemente no momento em que os clubes iniciam o polêmico debate sobre a ideia de se implantar o fair play financeiro no futebol brasileiro.
Em síntese, o modelo, já utilizado no mercado europeu, prevê punições a quem gastar mais do que arrecada. Acreditem: o contrato do Ex-Barcelona, Atletico de Madrid e seleção da Holanda projeta R$ 70 milhões diluídos em R$ 2,9 milhões pelo compromisso de dois anos – embutidos direitos de imagem e outras vantagens. A Esporté provável que a patrocinadora transfira o ônus ao Corinthians. Tudo passa a depender, é claro, dos eventuais desdobramentos do barulhento escândalo. Para complicar, Augusto Mello é alvo de um pedido de impeachment encaminhado ao Conselho Deliberativo.
Imaginem as consequências que o Corinthians teria se o sistema estivesse implementado no bagunçado calendário deste país. Afinal, o alvinegro carrega o incômodo vermelho de R$ 2,1 bilhões. O rombo inclui aproximadamente R$ 700 milhões que a Gaviões da Fiel promete pagar à Caixa Econômica Federal, segundo prevê o recente acordo assinado na presença do presidente Augusto Mello e representantes da CEF. O dinheiro virá de uma campanha popular direcionada aos torcedores do Corinthians num canal direto à Caixa.
Resumo da ópera: em 2024, os maiores times brasileiros destinaram US$ 180 milhões (mais de um bilhão de reais) durante três meses na recém concluída janela de transferências. Este recorde põe o Brasil em oitavo no bloco dos países que mais gastaram no cenário mundial – atrás de Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália, Portugal, França e Arábia Saudita. É o que consta de um relatório publicado pela Fifa. Logo, retomarei o tema.
Jornalista há quatro décadas, cobriu pelo Diário da Noite, Estadão, Folha da Tarde e Gazeta Esportiva e também quatro Copas do Mundo e uma Olimpíada.
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