Home / Destaques / STF, CONGRESSO NACIONAL E O DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA TRIPARTIÇÃO DOS PODERES por Antonio Tuccilio

STF, CONGRESSO NACIONAL E O DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA TRIPARTIÇÃO DOS PODERES por Antonio Tuccilio

O sistema democrático brasileiro é sustentado pelo princípio da separação dos poderes, conceito enunciado pela teoria de Montesquieu. Nesse modelo, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário possuem funções e competências distintas, garantindo um equilíbrio de poderes essencial para a estabilidade e eficácia do Estado de Direito. No entanto, o recente julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação evidencia a disputa de ideologias, alimentada pelo ego dos Ministros e Parlamentares, que resulta em uma “briga” de competências entre o Legislativo e o Judiciário.
De acordo com o sistema brasileiro, cabe ao Congresso Nacional debater, analisar e decidir sobre qualquer alteração ou adição à legislação vigente no país. Ao Supremo Tribunal Federal, cabe a função de guardar a Constituição, seguindo suas determinações e preceitos ao tomar decisões de cunho jurídico. No entanto, o STF frequentemente se vê diante de questões sociais sensíveis e demandas por mudanças na legislação. No caso em questão, o STF se tornou palco de uma discussão que, a princípio, caberia ao Legislativo, resultando em um
conflito de competências e, por vezes, em uma aparente “briga de egos” entre os poderes. O Legislativo sentese pressionado a acelerar comissões e aprovar leis, temendo que o Judiciário tome decisões que caberiam a ele. Por outro lado, o Judiciário argumenta que, diante da demora do Legislativo em abordar certas questões, é seu dever intervir para proteger os direitos fundamentais dos cidadãos. Nesse cenário, o papel do STF é o de “guardião da Constituição”, ou seja, as decisões dos ministros devem ser fundamentadas no texto
constitucional e não em opiniões pessoais.
A discussão sobre o aborto é apenas um dos exemplos de como o ativismo judicial pode surgir quando há divergências ideológicas entre os poderes. Questões como drogas, marco temporal e imposto sindical também já geraram tensões semelhantes. A separação de poderes, fundamental para a democracia, deve ser preservada, e é necessário encontrar um equilíbrio para que decisões sobre temas complexos não se tornem uma mera disputa de quem aprova primeiro.
É essencial que ambos os poderes atuem em conformidade com a Constituição e, quando necessário, busquem um diálogo construtivo para encontrar soluções que atendam aos interesses da sociedade, deixando de lado diferenças ideológicas em prol do bem comum. Afinal, o objetivo principal deveria ser o debate sobre o que é melhor para a população e não uma queda de braço entre membros do poder que têm como principal motivação vencer a disputa de narrativas já costumeira na política brasileira.


Antonio Tuccilio
Presidente da CNSP

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

[mc4wp_form]

Deixe um Comentário