O Brasil acaba de assumir a liderança mundial em cirurgias plásticas, ultrapassando os Estados Unidos no ranking divulgado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), com mais de 2 milhões de procedimentos realizados em 2024. Para quem acompanha de perto o setor, essa conquista não é surpreendente. Há anos, nosso país ocupa posição de destaque e se alterna com os norte-americanos, reflexo de uma soma de fatores que vão muito além da vaidade.
A valorização da estética faz parte da identidade brasileira. Somos um povo que se preocupa em estar bem com a própria imagem, e isso está profundamente ligado à nossa cultura. O clima tropical e o estilo de vida, marcados pela constante exposição do corpo em praias, piscinas e ambientes abertos, reforçam esse desejo de manter-se em forma e com aparência jovial.
Nos últimos anos, as redes sociais também desempenharam papel decisivo nesse cenário. A exposição digital, a cultura da imagem e os padrões estéticos disseminados online ampliaram a procura por procedimentos. Somado a isso, houve uma verdadeira democratização da cirurgia plástica: antes restrita a uma elite, hoje ela está acessível a diferentes camadas da população, impulsionada pela maior oferta de profissionais especializados e pelas condições de pagamento facilitadas.
Outro diferencial importante está na formação médica. O Brasil conta com cirurgiões plásticos altamente capacitados, com técnica refinada e um senso estético reconhecido internacionalmente. Esse preparo nos coloca em posição de destaque e atrai inclusive pacientes estrangeiros que enxergam no país uma referência em qualidade e resultados.
Vale destacar ainda que a procura por cirurgias plásticas se mantém firme mesmo em momentos de instabilidade. Nem a pandemia, nem crises econômicas, tampouco eventos extremos como as enchentes recentes no Rio Grande do Sul foram capazes de frear essa demanda, o que mostra como o consumo de estética está enraizado em nossa sociedade.
Embora países como Coreia do Sul, Turquia e algumas nações do Leste Europeu estejam em crescimento, Brasil e Estados Unidos seguem como protagonistas mundiais na área. E tudo indica que, enquanto houver estabilidade econômica mínima, nosso país continuará ocupando esse posto de liderança.
Por Dr. Carlos Tagliari, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica