O lixo é um problema sério para o planeta. Mais grave ainda no Brasil, que não conseguiu eliminar os “lixões”. Gravíssimo para São Paulo, a maior cidade brasileira, que produz quinze mil toneladas de descartes por dia. É uma quantidade excessiva, mais um atestado do grau de indigência ecológica da população. Embora a coleta seletiva atinja todos os logradouros públicos da capital, o que se recolhe, com inegável valor econômico, não tem destino adequado.
Sim. Em países mais adiantados do que o nosso, os resíduos sólidos têm uma destinação econômica bem considerável. Tudo o que é reaproveitável passa por reciclagem. Uma injeção à economia que os ricos não dispensam. Já os países mais pobres, infelizmente, parecem desconhecer o valor da reutilização para alavancar a economia.
Percentual mínimo do que é coletado chega à reciclagem. Quase tudo vai aumentar o nível e a dimensão de aterros sanitários. Perde-se dinheiro por falta de conhecimento ou por desinteresse. E isso custa bastante para o povo, que sustenta o sistema de coleta e de formação de aterros.
É importante que se promova permanente campanha de conscientização pública de que basta separar o lixo em duas frações: resíduos orgânicos, os restos de alimentos e outros detritos que apodrecem e podem se converter em biometano, gás natural não fóssil, de muita utilidade. Inclusive para abastecer veículos que não emitem gases venenosos, causadores do efeito estufa, ao menos na intensidade do combustível que advém do petróleo. E os resíduos secos, que passam pela reciclagem já tradicional e que valem dinheiro.
Se tal projeto for levado a efeito, por muitos parceiros, além do Poder Público Municipal, o paulistano poupará recursos que poderão atender a outras necessidades, talvez mais prioritárias do que administrar aquilo que resulta de nosso excessivo consumismo, crescente desperdício e insuficiente forma de descarte do que desperdiçamos.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.












