Ao pensar, me pergunto: estamos realmente vivendo um tempo de solidariedade, empatia e humildade — ou apenas assistindo a um espetáculo de exibição do que se tem diante de quem nada possui? Olho ao redor e, mais uma vez, sinto-me um verdadeiro ET em um mundo tomado por um vazio profundo, quase absoluto, de amor. A desconexão entre as pessoas é assustadora. Ninguém mais se olha, ninguém se fala. As relações tornaram-se descartáveis: hoje alguém tem valor comercial, no instante seguinte já não significa mais nada.
Escrever este texto exigiu de mim um mergulho na alma — uma imersão densa e profunda, daquelas que tanto amo fazer. Ainda assim, confesso: não gostaria de olhar ao redor e concluir que a realidade se tornou tão dura e assustadora. Não são poucas as vezes em que me pego pensando: que mundo estamos deixando para a próxima geração? Em que planeta estamos vivendo? Se antes o amor era vivido, hoje assistimos a um completo descompasso — pessoas perdidas, cenas vazias de uma vida que parece ter se extraviado pelo caminho.
Talvez o mais assustador seja perceber que pouquíssimas pessoas se dão conta dessa realidade. Quando criança, eu tinha tão pouco… mas o que tinha era suficiente. O essencial nunca me faltou: amor, abraço e um olhar verdadeiro — dons que recebi da minha saudosa e amada mãe-avó, Brasilina Maria de Jesus Costa que me criou com tanto, mais tanto amor.
Ah… em que momento tudo isso se perdeu? Hoje, muitas pessoas parecem verdadeiros robôs: frias, insensíveis, egoístas, individualistas e egocêntricas. Vivem correndo, repetindo o tempo todo que não têm tempo — esquecendo-se de que tudo aqui é rápido, frágil e passageiro. Que pena. Que tristeza olhar ao redor e enxergar a ausência de fé, de ternura, de empatia e de compaixão. Afinal, que Natal é esse?
Uma humanidade entorpecida por suas próprias vaidades, hipocrisias e crenças absolutas, perdida em si mesma dentro de um contexto de profunda morbidez emocional.
Que possamos resgatar o verdadeiro espírito natalino — aquele que não se compra, não se exibe, não se posta, mas se vive. Feliz Natal!












