Home / Política / Quem não deve não teme. Por Mauro Ramos

Quem não deve não teme. Por Mauro Ramos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve explicações à sociedade brasileira após o jornal Folha de São Paulo publicar uma reportagem na qual diz que Moraes usou “formas não oficiais” para determinar a produção de informações para investigar aliados de Bolsonaro durante as eleições de 2022, período em que o ministro foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A suspeita é de que Moraes não seguiu o rito oficial e regular em todos os procedimentos realizados para requisitar informações ao TSE no âmbito dos inquéritos que investigam a disseminação de fake news e a atuação de milícias digitais durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Basicamente, muitos pedidos eram feitos informalmente pelos seus auxiliares por WhatsApp, por exemplo, e não dentro dos autos dos processos. Naquele período, além de integrante do STF, Moraes era presidente do TSE.

Em um primeiro momento, Moraes afirmou que o TSE tem poder de polícia e competência para a realização de relatórios sobre atividades ilícitas, como desinformação, discursos de ódio eleitoral, tentativa de golpe de Estado e atentado à democracia e às instituições. O ministro também disse que os relatórios apenas descreviam postagens ilícitas nas redes sociais e eram enviadas para investigações da Polícia Federal.

A bem da verdade é que, até agora, as explicações dadas por Moraes ainda não foram totalmente convincentes. Não à toa já tem parlamentar da oposição liderando um movimento no Congresso Nacional na tentativa de pedir o impeachment de Moraes. Como ministro da Suprema Corte e defensor da Constituição e das leis, Moraes precisa segui-las à risca. E mais: provar que o fez.

Isso vale para todo e qualquer cidadão, ainda mais sendo ministro do STF. Nunca é demais destacar a frase clássica do imperador romano Júlio César: “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Como Moraes bem sabe, fatores como a internet, redes sociais e a informatização de todos os setores reforçam a necessidade das pessoas aparentarem virtudes como a honestidade. Ainda mais ocupando o cargo que ele ocupa.

Vale lembrar que o TSE é o órgão responsável pela organização das eleições, composto por sete ministros, sendo três do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e dois advogados indicados pelo presidente da República.

É evidente que os inquéritos que investigam a disseminação de fake news e tramitam no STF têm o objetivo de combater práticas que afetam a confiança das pessoas no Supremo, distorcem ou alteram o significado das decisões e colocam em risco direitos fundamentais e a estabilidade democrática. Mas, para isso, tudo tem de ser feito seguindo o rito legal.

Se a Operação Lava Jato, comandada por Sergio Moro, foi tão criticada após o vazamento de conversas com promotores do Paraná, a mesma régua tem de ser usada agora para medir a conduta de Moraes nos inquéritos das fake news. Ninguém é culpado de véspera, mas uma coisa é fato: Moraes precisa se explicar melhor para conseguir convencer de que não fez nada de errado.

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

[mc4wp_form]

Deixe um Comentário