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Ser pai de menina: o maior presente que Deus pode dar a um homem – por Walter Ciglioni

Existe uma coisa que muitos homens jamais conseguem explicar direito: ser pai de menina muda completamente a alma da gente.

Muda o jeito de falar.

Muda o jeito de sentir.

Muda até o jeito de enxergar o mundo.

E eu digo isso com a experiência de um pai separado há mais de vinte anos, que viu sua vida ganhar um novo sentido justamente quando tudo parecia desmoronar.

Meu casamento terminou quando minha filha ainda era muito pequena. A Bia tinha pouco mais de dois anos. E naquele momento começou uma jornada que eu jamais imaginava viver: a de ser pai de menina praticamente sozinho em muitos momentos da vida.

Mas quer saber a verdade?

Foi a maior aventura, a maior escola e o maior amor que já vivi.

Ser pai de menina é descobrir que um simples “paiiii” consegue curar qualquer tristeza.

É perceber que aqueles olhinhos brilhando conseguem desmontar qualquer homem em segundos. E quem é pai de menina sabe exatamente do que estou falando.

Porque não existe defesa.

A filha olha… e acabou.

A gente perde completamente a autoridade emocional.

A Bia, desde pequenininha, me encantou de um jeito impossível de explicar. E talvez não seja coincidência: Beatriz significa “aquela que traz felicidade”, “aquela que encanta”.

E ela encantou minha vida inteira.

Ser pai de menina é aprender a viver num universo totalmente novo. É assistir desenho da Disney sabendo nome de princesa, é entender de Barbie, é descobrir que cabelo de boneca nunca cresce depois que elas resolvem cortar tudo “para mudar o visual”.

É deixar pintarem sua unha.

É sair com o rosto rabiscado de canetinha rosa porque virou “maquiagem oficial”.

É usar toca, brincar de salão de beleza e ainda ouvir:
“Pai, você ficou lindo!”

E naquele momento você realmente acredita.

Pai de menina vira herói sem capa.

Vira motorista particular.

Carregador oficial de sacolas.

Especialista em drama adolescente.

Conselheiro sentimental.

Segurança 24 horas.

E também vira um homem mais sensível.

Porque filha ensina carinho de um jeito que o mundo nunca ensinou para muitos homens.

Eu me lembro quando dei o primeiro celular rosa da Bia. No primeiro dia ela me ligou dezenas de vezes.

“Pai…”
“Oi filha…”
“Só queria falar com você.”


E eu atendia todas as chamadas como se fossem a ligação mais importante do planeta.

E eram.

Até hoje, lembrar disso emociona profundamente.

Também nunca esqueço da primeira viagem escolar. O ônibus saiu… e eu, escondido, fui atrás de carro para ver se ela chegava bem.

Resultado: tomei bronca da professora e dormi na cidade da excursão.

Mas o que eu podia fazer?

O coração de pai de menina simplesmente não sabe desligar a preocupação.

E depois vêm as fases da vida.

As primeiras festas.

As amizades.

As responsabilidades.

Os sonhos.

E um dia você percebe que aquela menininha que segurava sua mão virou uma mulher incrível.

Hoje a Bia está com 21 anos. Estuda em duas faculdades, faz inglês, corre atrás da vida com coragem e determinação. E eu olho para ela com um orgulho impossível de medir.

Porque talvez a maior realização da minha vida não tenha sido profissional.

Talvez meu maior sucesso tenha sido simplesmente ser pai dela.

Muita gente não entende quando digo que prefiro ficar em casa vendo série com minha filha num sábado à noite do que sair por aí.

Mas quem é pai de menina entende.

Porque os anos passam rápido demais.

E cada momento ao lado delas vira uma memória eterna.

Hoje ela mora comigo e com a mãe, dividindo a rotina entre as duas casas. E confesso uma coisa: quando ela vai embora no domingo, a casa muda completamente.

Fica silenciosa.

Sem vida.

Então faço chantagem emocional mesmo. Invento dor no corpo, digo que estou passando mal, peço para ela ficar mais um pouco…

Porque pai de menina nunca se acostuma com a saudade.

E quando ela volta, minha felicidade é automática.

Quero perguntar tudo. Fazer comida. Saber como foi o dia. E quase sempre bato o dedão no sofá andando distraído pela casa de tão feliz que fico.

Ser pai de menina não é sofrimento.

É privilégio.

É uma das experiências mais bonitas que um homem pode viver.

Porque filha transforma a gente sem pedir licença.

Ela nos torna mais humanos. Mais amorosos. Mais fortes emocionalmente.

E talvez muitos pais separados leiam este texto e se identifiquem, mesmo sem admitir.

Porque no fundo nós sabemos:
Filha é aquele pedacinho do coração que Deus deixa andando fora do nosso corpo.

E sinceramente?

Eu não trocaria isso por absolutamente nada neste mundo.

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