A frieza, a mecanização das relações humanas me mostra, sob o ponto de vista mais duro e claro, o quanto, além de superficiais, as pessoas estão cada dia mais valorizando umas às outras pelo viés utilitário.
Você não é ouvido. Não é verdadeiramente olhado. Não há interesse genuíno, escuta ou empatia.
A meu ver, o que parece importar é, cada vez mais, aquilo que você pode oferecer. Ser percebido e valorizado apenas pelo que se pode proporcionar é um dos maiores cânceres da humanidade. Tenho asco dessa lógica.
E, ao observar pessoas se transformando em verdadeiros robôs emocionais, incapazes de estabelecer vínculos genuínos, só consigo enxergar um oceano assustador de desafios para que a humanidade volte a se humanizar.
Está cada vez mais difícil conviver em um mundo de pessoas polarizadas, hipócritas, interesseiras e emocionalmente distantes. Relações que deveriam ser construídas sobre afeto, respeito e reciprocidade passaram a ser frequentemente pautadas pelo interesse, pela conveniência e pelo benefício que o outro pode proporcionar.
Tudo isso me faz lembrar as reflexões do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman sobre a modernidade líquida: relações frágeis, descartáveis e cada vez menos comprometidas com a permanência e com o afeto.
Talvez o maior desafio da nossa geração não seja ensinar máquinas a pensar como seres humanos. Seja impedir que os seres humanos continuem aprendendo a agir como máquinas.












