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Em memória de Emilio Jafet – por Raul Jafet

Emilio Benjamin Jafet aprendeu com as crises de que seu ramo, o têxtil, foi alvo ao longo das décadas e elaborou um pensamento, um brado de guerra: “No meio da crise, nunca pare, porque aquele que parou jamais alcançará aquele que não parou”.

Quer dizer, acenda o farol e não pare de guiar.

Emilio era o nono dos dez filhos do casal libanês Benjamin e Alzira Assad Jafet. Nasceu no dia 11/5/1914, no Ipiranga, em São Paulo, quando a família morava num palacete na rua Xavier Curado. Foi o primeiro palacete construído no bairro pelos Jafet, em 1912.

O pai foi o precursor da família no Brasil, ao emigrar do Líbano em 1887, e fundou, com os irmãos Nami, Basilio e João, a primeira indústria dos Jafet, a Ypiranga Jafet.

Emilio prestou vestibular para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas decidiu trabalhar com o cunhado David Jafet, casado com a irmã Monira, na indústria dele, a Tecelagem de Sedas Nice, na rua do Manifesto, Ipiranga.

O principal empreendimento de Emilio foi o Lanifício Jafet, lançado em 31/7/1937 por ele e pelo irmão e químico industrial Alexios: avenida Presidente Wilson, 4438, Ipiranga. Emilio dirigia a área comercial.

Fabricante de tecidos de lã, sintéticos e cobertores, com seções de fiação, tecelagem e tinturaria, empregava 700 trabalhadores. Encerrou atividades no fim dos anos 1980, e as instalações se transformaram em armazéns de logística.

“Já ganhei muito dinheiro com isso, mas esse ramo têxtil já deu, daqui vocês não tiram mais nada”, argumentou Emilio pelo fim da fábrica diante de quedas nos lucros, segundo o filho Raul. “E fechamos quando a empresa estava bem.”

Emilio se casou em 10/7/1948 com Aida Rizcalla Haddad, em cerimônia na Igreja Ortodoxa de São Nicolau, no Rio de Janeiro. Ela era filha do diplomata e comerciante Rizcalla Haddad e de Lily Kanawaty Haddad.

Dessa união vieram quatro filhos: Emilio Filho, morto aos 20 anos; Fernando; Raul; e Sérgio. À prole, o pai alertava para a ambição: “Demais é perigosa, porque não permite que se aproveite a vida”.

Emilio morreu em 14/6/2004, aos 90 anos, em SP, e foi sepultado no Cemitério da Consolação, junto da mulher (que morrera em 9/2/1997) e de outros parentes.

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