O caráter ditatorial do regime de Nicolás Maduro foi sempre condenado pelos democratas brasileiros e em especial por nos da esquerda democrática sem nenhuma ambiguidade.
A derrubada da ditadura venezuelana não se consumou apesar do sequestro e prisão do ditador Maduro por militares norteamericanos a mando do presidente Donald Trump ao arrepio do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.
E o mais grave é que nada do que foi realizado aponta para um compromisso com a democracia. Ao contrário, a confirmação de Delcy Rodríguez no comando do país, com o apoio explícito dos generais da ditadura — e ainda elogiada por Trump antes mesmo da posse — evidencia a preservação da mesma estrutura autoritária, agora ao que parece sob nova tutela externa como Trump e Rúbio dão a entender.
O elemento central dessa operação não é a liberdade do povo da Venezuela, mas sim o controle da produção e da exportação do petróleo venezuelano pelo USA . A retórica de Trump, falando como se fosse dono do mundo e afirmando que “vai governar” a Venezuela, expõe uma lógica de dominação e interesses estratégicos, não de defesa da democracia.
Uma fala de desqualificação, prenhe de grosseria e calhordice do Presidente Donald Trump dirigida a grande líder da oposição democrática venezuelana, María Corina Machado — posição aliás hoje reforçada por Marco Rubio ao descartar a brava oposição daquele pais como um todo – demonstra sobejamente interesses alheios a liberdade dos venezuelanos.
Urge uma pressão de lideranças de países democráticos para que se inicie um efetiva transição política na Venezuela num dialógo dos USA – no seio da Organização dos Estados Americanos – com a presença dos lideres da oposição venezuelana para definição de rumos.
A trampa de Trump – por Roberto Freire












