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Meu contato precoce com os jornais – por Gaudêncio Torquato

Cresci neste caldeirão de um rico convívio familiar, social e político. Mas, de tudo que herdei destes tempos, prevalece o gosto pela escrita, com as lembranças da época em torno da figura de meu pai.

Vamos primeiro à escrita. Não poderia ser diferente: eu passei a gostar de ler com a leitura de jornal que meu pai fazia no começo da noite. Depois, quando já era jornalista, “seu” Gaudêncio apreciava ler para os amigos, que circulavam nos domingos por sua loja, minhas reportagens no Jornal do Commercio, do Recife, propriedade de F. Pessoa de Queiroz. Eram assinadas com o próprio nome dele – Gaudêncio Torquato –, que escolhi, como já disse antes, em sua homenagem. “Nome de guerra” que me tornou conhecido. Aprendi com meu pai a absorver conhecimentos com a leitura, a acompanhar a política (nacional, no meu caso) ao pé dos fatos.

Sempre guardei um bom conhecimento da política. O exercício da leitura do JC de “seu” Gaudêncio com os filhos, sob a luz de uma lamparina – que segurávamos plantados, de pé, ao seu lado, na cadeira de balanço –, me aproximou do espaço do jornal, do jornalismo e da política. Sempre digo: minha ligação com o jornalismo se deu por osmose.

Os filhos apanhavam nos Correios o pacote de jornais que chegavam a Luís Gomes, vindos de Pau dos Ferros, em lombo de burro. A demora maior era o trajeto entre Recife e Pau dos Ferros. Ia com Babu, irmão da primeira família, pegar os jornais na Agência; o mano jogava alguns exemplares do imenso pacote nos bueiros, forma de evitar a canseira de longas noites segurando lamparina para a leitura do incansável pai.

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