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Missão: ressuscitar os rios – por José Renato Nalini

A maioria das cidades brasileiras se equivocou ao se urbanizar. Em vez de edificar locais agradáveis para que os seres humanos fossem mais felizes, preocupou-se com o mais egoísta dentre os instrumentos de que o homem se serve: o automóvel.

Toda cidade é mais para o carro do que para o munícipe. Resultado disso é que espaços nobres são reservados para autopistas, para grandes avenidas, para corredores que ficarão inundadas por ônibus, caminhões e automóveis.

Para melhor servir a sua Majestade o automóvel, as gestões enterram os córregos, canalizam os cursos d’água. Aterram espaços naturais de notável interesse paisagístico e ambiental, tudo para que os veículos automotores ocupem a quase totalidade do território.

Uma boa notícia foi a de que o Parque do Bixiga vai recuperar o rio do mesmo nome. Excelente oportunidade para os arquitetos e escritórios de arquitetura oferecerem um projeto viável. Exemplo que deveria ser replicado em outras áreas paulistanas, pois São Paulo é um lugar beneficiado por milhares de cursos d’água, que foram eliminados para a cultura do trânsito automobilístico.

Todos os bairros deveriam zelar pela recuperação de seus córregos. Estes, cercados de verde, com a mata ciliar recomposta, serão verdadeiras usinas de purificação do ar, de reequilíbrio do regime de chuvas e de fábricas de redução da temperatura. Não nos esqueçamos de que as altas temperaturas matam mais do que as ondas de frio.

E aí? Qual o córrego do seu bairro que mereceria ser ressuscitado?

*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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