Saiu o novo Piso Nacional do Magistério e o reajuste foi de 5,4%!
Mas como é frustrante ver o nosso salário preso a manobra administrativa e à boa vontade do governo.
O reajuste até veio acima da inflação, mas só foi concedido por meio de Medida Provisória, ou seja, saiu como remendo e não como regra automática e previsível.
Sem essa MP, os cálculos oficiais, inclusive os que envolvem o Fundeb, são tão frágeis que, seguindo o rito legal, o aumento poderia ser de apenas 18 reais.
Isso mesmo, 18 reais!
Pensem nisso: professores que mantêm a escola pública, pagam contas e educam gerações quase receberam uma migalha por causa de fórmulas obscuras e interpretações contábeis.
Isso não é falha técnica, é escolha política.
Transferir a garantia do piso para o terreno da canetada significa tratar a carreira docente como variável de contabilidade, e não como direito constitucional.
Professores precisam de estabilidade, financiamento adequado e correção que acompanhe o custo de vida, não de remendos econômicos e negociações de gabinete.
E agora o CPP se prepara para um novo round dessa luta.
Aqui em São Paulo, o aumento é concedido por abono para não reconhecer o valor como piso oficial.
Abono não incorpora, não garante aposentadoria e pode sumir amanhã.
Por isso, exigimos que o Estado pague o reajuste como aumento real do piso, incorporado e definitivo, e não como abono temporário.
Parem de transformar o salário do professor em peça de contabilidade. Piso é direito, não moeda de troca.
*Silvio dos Santos Martins é presidente do Centro do Professorado Paulista












