A chamada “República de Brasília” tornou-se um sistema progressivamente desconectado do país real. Vive da extração de recursos, legitimidade e tempo político da sociedade que deveria servir. Não se trata de indivíduos, mas de uma cultura institucional fechada, autorreferente e impermeável ao controle cidadão.
Quando instituições passam a servir a si próprias, ocorre a inversão da finalidade republicana. A responsabilidade se dilui, a alternância perde sentido e o cidadão passa a ser visto como obstáculo. Isso não é apenas mau funcionamento — é disfuncionalidade estrutural.
A história mostra que sistemas assim não caem por desejo alheio, mas por perda de sentido. A regeneração institucional, quando ocorre, vem por reforma profunda ou por ruptura política legítima, sempre pela via cívica.
A alternativa não é o colapso, mas a reapropriação da República pelo cidadão. A República só se sustenta quando está abaixo da cidadania — nunca acima dela.












