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Qual das liberdades é ela? – por Paulo Costantini

Podemos com o maior respeito falar sobre o bairro da Liberdade.

Na verdade, a história conta que o bairro da Liberdade teve origem por volta de 1800, numa área periférica para enforcamentos, Largo da Forca e cemitério dos escravizados, Cemitério dos Aflitos.

O nome se consolidou após a abolição da pena de morte em 1870 e a execução do soldado Chaguinhas.

Francisco José das Chagas, mais conhecido como Chaguinhas, protagonizava a história da época.

Foi ele, um militar negro que se revoltou contra as políticas do império português.

Vamos então por partes…

A versão mais aceita para a origem é que o nome “Liberdade” surgiu com a tentativa de enforcamento do soldado negro Chaguinhas, quando a corda arrebentou por três vezes e o povo gritou “liberdade”.

Porém, como nem tudo que reluz é ouro…

O bairro da Liberdade, em São Paulo, possui raízes indígenas profundas e esquecidas, originando-se como um caminho indígena (PA Biru) que ligava a vila ao Império Inca.

Ancestrais indígenas, junto com populações negras, foram escravizados e sepultados no antigo Cemitério dos Aflitos, localizado na região, evidenciando uma história de resistência enterrada sob o atual bairro oriental

Só pesquisar!

Interessante essa versão… Não acham?

A imigração japonesa começou naquela região em 1912, atraída por aluguéis mais baixos em área totalmente desprezada e degradada, consolidando o bairro como um polo oriental a partir de 1953 com o Cine Niterói.

Foi a partir de então, que asiáticos, com sua disciplina, perseverança e credibilidade, conseguiram transformar totalmente o bairro, passando de um bairro esquecido, degradado, desorganizado, inseguro e feio, em um bairro transformado e aceito pela sociedade.

A partir de então, Grupos se formaram para resgatar uma área rica em vestígios arqueológicos da população escravizada, e com a valorização do “Afroturismo” na área.

Esse movimento busca resgatar a memória e a presença negra no bairro e é composto por uma articulação de coletivos negros, historiadores, movimentos sociais de moradia e ativistas do patrimônio histórico.

Poderiam no mínimo reverenciar os orientais pelo que foi feito e mantido durante tanto tempo.

Talvez um busto erguido, uma placa ou um marco no entorno… Nada mais.

Visão estrábica e atemporal do Grupo reivindicante, que nem juridicamente teria êxito.

É, dessa forma, simplesmente descabido frente aos fatos e ao tempo decorrido, reclamar a restituição de um bem ou direito que pertence ao reclamante mas se encontra em poder de outrem

Se assim fosse, teríamos que voltar a debater por merecimento e real propriedade da história o resgate dos povos indígenas originários da região.

E não é o que tem ocorrido!

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” é um famoso ensinamento, parte da Bíblia, que distingue as obrigações civis das espirituais.

Não dá pra se fazer justiça com injustos pretextos ou injustificados argumentos.

Outra solução seria a convivência entre as duas culturas, deixando o largo da Igreja Santa Cruz dos Enforcados, Capela Nossa Senhora dos Aflitos ou simplesmente Capela dos Aflitos ao movimento.

Poderia ainda que cada parte reivindicasse o que fosse de mais significativo das suas culturas.

Não dá pra ser diferente.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem
Cecília Meireles

Então… Muito cuidado!

Quando se pensa com o coração, a razão perde a capacidade de discernimento.

Eu desconfio de todo idealista que lucra com o seu ideal.
Millôr Fernandes

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