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Como a maternidade transforma o olhar de quem empreende – por Carol Zein

Se tem uma coisa que a maternidade faz com a gente, e ninguém te conta com muita precisão, é mudar completamente a forma como você observa o mundo. No meu caso, mudou também a forma como eu enxergo o meu próprio negócio.

Antes de ser mãe, eu já estava à frente de uma empresa voltada para o universo infantil. Estudava comportamento, analisava tendências, acompanhava lançamentos, conversava com especialistas. Eu achava que entendia profundamente as necessidades das famílias. E, de certa forma, entendia mesmo. Mas a prática é um território muito mais exigente do que qualquer planejamento.

Foi só no dia a dia, com uma bebê em casa, que percebi o quanto detalhes aparentemente pequenos fazem uma diferença enorme. Coisas simples, como o tamanho da boca de uma mamadeira, deixam de ser especificações técnicas e passam a impactar diretamente a rotina, o tempo, a praticidade, até o nível de estresse de quem está cuidando.

A maternidade trouxe uma camada de percepção que nenhum estudo de mercado consegue replicar. É o olhar de quem está cansada, com pressa, tentando equilibrar mil tarefas e, ainda assim, quer fazer o melhor possível pelos filhos. Esse olhar é implacável: ele revela o que realmente funciona e o que ainda pode evoluir.

Outro ponto que ficou muito evidente para mim foi como as necessidades das crianças evoluem rapidamente, e como isso exige um olhar mais contínuo sobre os produtos que fazem parte dessa jornada. Hoje, existem diversas soluções no mercado para diferentes fases, mas, na prática, comecei a refletir sobre como poderíamos acompanhar melhor esse crescimento dentro do próprio universo da marca.

Hoje, com a minha filha perto dos dois anos, percebo isso com clareza. Muitos produtos simplesmente deixam de fazer sentido muito cedo. Foi a partir dessa constatação que começamos a repensar o nosso portfólio, buscando desenvolver soluções que acompanhem melhor as diferentes fases da criança.

Ao mesmo tempo, é impressionante observar o quanto esse universo evolui rapidamente. Volta e meia, entro em uma farmácia para comprar algo básico e descubro uma novidade que não existia quando me tornei mãe, há pouco tempo. São soluções que surgem para resolver dores muito específicas, algumas que eu mesma vivi.

Isso também me faz pensar em outra camada dessa experiência: a troca entre gerações. Hoje, divido a empresa com a minha mãe. E, inevitavelmente, a forma como ela viveu a maternidade é muito diferente da minha. Não só pelas escolhas pessoais, mas pelo contexto, pelo acesso à informação e pelos próprios produtos disponíveis na época.

Essa convivência cria um contraste interessante e muito rico. De um lado, a experiência de quem já passou por tudo isso em um cenário completamente diferente. Do outro, a vivência atual, com novas demandas, novos recursos e novas expectativas. No meio disso, nasce uma construção mais completa, mais sensível e, eu diria, mais realista.

Ser mãe não me tornou uma empresária melhor de forma automática. Mas me tornou mais atenta, mais crítica e, principalmente, mais conectada com o que realmente importa no dia a dia das famílias.

No fim, empreender nesse segmento deixou de ser apenas sobre desenvolver produtos. Passou a ser sobre entender rotinas, antecipar necessidades e, de alguma forma, facilitar um pouco a vida de quem está atravessando uma das experiências mais intensas e transformadoras que existem.

E talvez seja esse o maior aprendizado: por mais que o planejamento seja importante, é na vida real que as respostas aparecem.

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