O aquecimento causado pela mudança climática pode prejudicar o desempenho do jogador e afetar a estratégia de partidas na Copa do Mundo de 2026. Uma nova análise da Climate Central organização científica e de comunicação sediada nos EUA que estuda os impactos locais das mudanças climáticas e possíveis soluções, mostra que a mudança climática está aumentando a probabilidade do calor e assim prejudicando o desempenho durante a maioria dos jogos da Copa do Mundo.
Seus dados nos informam: quase metade das partidas (49 de 104) tem probabilidade de experimentar calor que pode prejudicar o desempenho. Em 26 desses jogos, a mudança climática aumenta a probabilidade em pelo menos 10 %, podendo aumentar as chances de calor e prejudicando o desempenho. O calor intenso pode diminuir a frequência de corrida (sprint) e a capacidade de recuperação dos jogadores, além de influenciar estratégias, ritmo e qualidade das partidas.
O que consideramos calor preocupante? No futebol, não se olha apenas a temperatura ambiente. O indicador de risco do calor mais utilizado é o WBGT (Wet Bulb Globe Temperature) que analisa temperatura, umidade, radiação solar e vento.
De forma geral utilizamos a tabela:
- WBGT < 28°C → risco moderado.
- WBGT 28–32°C → risco elevado; medidas preventivas obrigatórias.
- WBGT > 32°C → risco muito alto; considerar mudanças importantes.
- WBGT > 34°C → muitas entidades esportivas recomendam suspensão / adiamento.
O que acontece com o jogador?
Mesmo em atletas de elite, e habituados ao clima, o calor excessivo pode causar:
- Redução da distância percorrida: Menor número de sprints de alta intensidade.
- Queda da capacidade de recuperação entre esforços: Exaustão pelo calor.
- Aumento da frequência cardíaca: Desidratação: Maior risco de cãibras.
Em situações extremas, a hipertermia ou insolação (heat stroke) traz risco de vida
Como as seleções devem se preparar?
Aclimatação ao calor por 10–14 dias. Monitorização do peso antes e após treinos.
Estratégia individualizada de hidratação. Uso de bebidas isotônicas quando a perda de suor for elevada. Resfriamento pré-jogo (coletes gelados, toalhas frias, ambientes climatizados) e durante o intervalo. Substituições mais precoces em jogos muito quentes. Isotônicos em jogos com alta temperatura e duração superiores a 90 minutos de exposição total. Pausas obrigatórias para hidratação quando os limites são atingidos.
A Copa de 2026 provavelmente será a Copa do Mundo mais desafiadora já realizada em termos de calor ambiente. Além do conforto térmico existe a questão de segurança dos atletas e qualidade técnica dos jogos.
A adaptação fisiológica ao calor, a hidratação adequada e protocolos baseados em WBGT serão tão importantes quanto a preparação física e tática das seleções.
@nabilghorayeb












