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Copa do Mundo 2026: a hora das seleções coadjuvantes – por José Aquino

Alguns jogos dessa Copa Espalhada têm me levado a pensar no que dizia o Joca, aquele baixinho comportado lá da minha Santa Terrinha, Miracema, noroeste do Estado do Rio, fiel frequentador das sessões do Cine Sete, nas noites de sábado.

O programa, anunciado em grandes e belos cartazes pintados pelo Sílvio Felix, que mais atendia por Buru, era sempre igual: um “farveste” e um capítulo do seriado.

O ritual do Joca, funcionário da Serraria do Melchiades Cardoso, também era o mesmo: passava na padaria do Argentino, comprava uma dúzia de rosquinhas – daquelas que faziam barulho quando mastigadas e tirava seu ingresso.

Eram duas sessões, às 18 e às 20 horas. Joca preferia a das 20. Lá no “poleiro”, local mais barato, mais longe da tela, alcançado uma uma estreita escada de madeira.

Sentava na primeira fila e assim que as luzes eram apagadas, mordia a rosquinha e fazia o mesmo desafio – nunca aceito – para delírio e aplausos dos frequentadores: “5 por um que o mocinho vai ganhar, mas ainda hei de ver o bandido vencer’.

É esse “desafio” que me vem à mente quando vejo seleções consideradas pelo entendidos como meros figurantes – aqueles índios que morrem dezenas de vezes no mesmo filme – dando trabalho às eternas favoritas.

Uma madrugada, jantando com o técnico Carlos Alberto Parreira, após um programa Bem, amigos, perguntei a ele se concordava comigo que um dia uma seleção africana ganharia a Copa. Falei dos grandes craques que aparecem por lá, e ouvi um não.

Parreira, todos sabem, era o técnico da seleção brasileira no tetra, em 1994, nos EUA, dirigiu a sul-africana em 2010, frequentava a cúpula do futebol mundial, devia saber o que falava

Nessa Copa inchada, uma das apontadas como favoritas, a Alemanha, já foi despachada, assim como a Holanda, que corria por fora, e a tradicional do Uruguai. Brasil, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Noruega – candidatas e não desprezadas – suaram frio.

E esta noite deu gosto ver Cabo Verde justificar — também – o projeto de João Havelange, quando presidente da Fifa, de espalhar o futebol por todos os cantos do mundo, levando a entidade a ter mais membros que a ONU – mazelas à parte.

Gostaria – por que não? – ver uma das seleções meras figurantes – índios que morrem muitas vezes – levantar o caneco desta vez. Não exclusivamente africana. Mas, também pelo que já vi, Espanha e França não permitirão. Ou?

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