Carlo Ancelotti não é burro.
Em entrevista coletiva, o técnico da Seleção Brasileira diz que, com certeza, ele não é 100% gênio. Com mais certeza ainda, não é 100% burro.
Além disso, ele conhece bem a competição que está disputando.
Como conhece também a história do futebol.
Sabe aquele ditado: não deixe para amanhã o que pode fazer hoje?
Pois é, contém muita sabedoria.
Eu torço para que esteja na cabeça dele a eliminação do Brasil pela Croácia, na Copa de 2022.
O Brasil teve pela frente a Croácia.
O jogo normal terminou em 0 a 0. Veio a prorrogação e Neymar fez 1 a 0.
No minuto final da prorrogação, acontece um escanteio contra a Croácia. Os zagueiros brasileiros, com cabeceadores, se mandaram para a área adversária.
Não fizeram gol e levaram um fulminante e rápido contra-ataque da Croácia que empatou, 1 a 1, levando a decisão para os pênaltis.
Se tem como certo que as duas cobranças mais importantes são a primeira e a última.
Assim, Rodrygo, já um astro, foi escalado para a primeira cobrança. Neymar, também já um astro, foi escalado para a quinta cobrança.
Acontece que não teve a quinta cobrança.
Rodrygo bateu e o goleiro croata defendeu.
Marquinhos, excelente zagueiro, chutou na trave e o Brasil foi eliminado, antes que chegasse a vez de Neymar cobrar.
Estamos vivendo alguma coisa parecida.
Vamos enfrentar, no domingo, 5, um time muito forte: a Noruega.
É este o momento, em minha opinião, de colocar Neymar em campo.
Sim, eu sei, ele está há mais de um mês sem jogar futebol e, portanto, sem ritmo.
Mas ele só ganhará ritmo se entrar em campo.
Eu já sairia com Neymar desde o começo do jogo.
Acredito que só a presença dele em campo incomodará e preocupará nossos adversários.
Ah! Mas e se ele não fizer nada?
Será substituído, claro. Mas ainda com tempo de jogo.
Deixá-lo para os 20 minutos finais ou não o escalar, estaremos correndo o risco de repetir 2022.
Apenas como lembrança, veja a escalação do Brasil em 2022:
Alisson; Éder Militão (Alex Sandro), Marquinhos, Thiago Silva e Danilo; Lucas Paquetá (Fred), Casemiro, Raphinha (Antony), Neymar e Vinícius Júnior (Rodrygo); e Richarlison (Pedro). Técnico – Tite.
O jogo de domingo será duro, difícil.
Eu tenho confiança em vitória do Brasil.
Mas, por via das dúvidas, vou acender uma vela.
Ou duas.


Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.











