A decadência da Seleção Brasileira não pode ser atribuída exclusivamente aos jogadores ou aos treinadores. O verdadeiro problema começa muito antes do apito inicial. Ele está na estrutura administrativa do futebol brasileiro, cuja principal responsável é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Durante décadas, a CBF deixou de ser reconhecida apenas como a entidade que administra o futebol nacional para tornar-se, frequentemente, protagonista de crises institucionais, disputas judiciais, mudanças de comando, denúncias envolvendo dirigentes e questionamentos sobre seus critérios de gestão. Tudo isso contribuiu para o desgaste de sua credibilidade perante a sociedade e os próprios torcedores.
Há muito tempo, a impressão que se tem é que interesses políticos e disputas pelo poder passaram a ocupar espaço que deveria ser destinado ao planejamento, ao fortalecimento das categorias de base, ao desenvolvimento dos campeonatos nacionais e à preparação da Seleção Brasileira. O futebol tornou-se, em muitos momentos, refém de decisões administrativas que pouco dialogam com os interesses do esporte.
O Brasil continua formando alguns dos melhores jogadores do planeta. Nossos atletas brilham nos principais clubes da Europa e de outras partes do mundo. Se o talento continua existindo, é evidente que a origem da crise não está na falta de qualidade técnica, mas na ausência de um projeto sério, estável e comprometido com o futuro do futebol brasileiro.
A Seleção Brasileira sempre pertenceu ao povo, jamais aos dirigentes de ocasião. Sua camisa amarela representa uma história construída por gerações de craques e milhões de torcedores. Nenhuma administração tem o direito de permitir que esse patrimônio seja enfraquecido por interesses alheios ao esporte.
É indispensável que a CBF adote padrões elevados de governança, transparência e responsabilidade institucional. O futebol brasileiro necessita de dirigentes comprometidos com resultados esportivos e com a valorização da imagem da entidade, e não apenas com a manutenção de estruturas de poder.
O Brasil não perdeu sua vocação para o futebol. Perdeu, em muitos momentos, a capacidade de administrar com competência o maior patrimônio esportivo da nação. Enquanto não houver uma profunda renovação administrativa e moral na condução do futebol brasileiro, a distância entre o talento existente e os resultados alcançados continuará sendo motivo de frustração.
Resgatar a grandeza da Seleção Brasileira exige muito mais do que encontrar um novo treinador ou revelar outro craque. Exige reconstruir a credibilidade da instituição que a dirige. Sem isso, o pentacampeão do mundo continuará convivendo com uma realidade incompatível com sua história e com a paixão de milhões de brasileiros.












