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Alta segura começa antes da saída do hospital – por André Machado Jr.

Existe uma percepção comum de que permanecer mais tempo no hospital significa receber um cuidado melhor. Entretanto, a qualidade da assistência está relacionada à capacidade de oferecer o cuidado certo, no lugar certo e no momento certo. Esse é um dos grandes desafios da assistência hospitalar moderna: oferecer cuidados intensivos quando necessários e reconhecer o momento seguro para a transição para enfermarias, unidades de cuidados intermediários, atendimento domiciliar ou alta para casa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um em cada dez pacientes sofre algum dano durante a assistência à saúde, sendo que mais da metade desses eventos adversos poderiam ser evitados. Em países de baixa e média renda, ocorrem cerca de 134 milhões de eventos adversos hospitalares por ano, associados a cerca de 2,6 milhões de mortes. Globalmente, os cuidados inseguros são responsáveis por mais de 3 milhões de óbitos anuais.

Quando a permanência em uma UTI se estende além da necessidade clínica, aumentam também os riscos de infecções relacionadas à assistência, perda funcional e outras complicações. Ainda, leitos altamente especializados ficam indisponíveis para quem precisa.

Esse cenário tende a se intensificar nos próximos anos com o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e a crescente demanda por procedimentos de alta complexidade. Paralelamente, a Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH/IESS) permanece em patamares superiores à inflação geral da economia, evidenciando que a sustentabilidade da saúde suplementar dependerá cada vez mais da redução de desperdícios, da qualificação da gestão do cuidado e do uso inteligente dos recursos assistenciais.

Nesse contexto, ganha força a implantação de programas estruturados de gestão do paciente internado com uso de tecnologia e inteligência artificial. Essas tecnologias integram toda a jornada do cuidado e apoiam médicos e especialistas técnicos nas decisões clínicas fundamentadas em evidências, protocolos assistenciais e avaliação contínua da evolução do paciente.

Na Maida Health, por exemplo, equipes multidisciplinares acompanham diariamente pacientes internados em parceria com os profissionais responsáveis pela assistência. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram realizadas mais de 120 mil visitas técnicas. Esse acompanhamento estruturado contribuiu para a otimização do nível de cuidado, a elaboração de planos de ação para mitigação de eventos adversos, a transferência segura entre diferentes níveis assistenciais e a construção de altas hospitalares mais qualificadas.

Em um dos clientes da empresa, a iniciativa contribuiu para uma redução de desperdícios assistenciais superior a R$ 42 milhões em um único ano. Os resultados também incluíram melhor utilização dos recursos assistenciais, ampliação da disponibilidade de leitos para pacientes críticos e redução de riscos durante a internação.

A qualidade da alta também influencia diretamente o risco de reinternação. Estudos internacionais mostram que entre 10% e 20% das reinternações hospitalares ocorrem em até 30 dias após a alta. Revisões sistemáticas demonstram, ainda, que programas estruturados de transição do cuidado podem reduzir em aproximadamente 20% o risco de reinternações nesse período.

Portanto, a alta segura não representa o encerramento do cuidado. Por isso, ela começa muito antes da saída do hospital, sendo construída diariamente por meio de planejamento, monitoramento clínico e decisões compartilhadas entre todos os profissionais envolvidos.

Alta segura não é acelerar a saída do hospital. É garantir que cada paciente receba o cuidado certo, no lugar certo e no momento certo.

André Machado Jr. é CEO da Maida Health

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