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Do microscópio ao Epigenoma: como a medicina está mudando a forma de diagnosticar tumores cerebrais – por Dr. Felipe D’Almeida Costa

Quando pensamos em tumores cerebrais, logo vêm à mente diagnósticos difíceis, incertezas e tratamentos desafiadores. Parte disso acontece porque, durante muito tempo, os médicos só podiam contar com exames de imagem simples e avaliações utilizando somente o microscópio para tentar entender cada tumor. Essas ferramentas continuam sendo fundamentais na jornada do paciente neuro-oncológico, mas muitas vezes não dão todas as respostas necessárias.

E aqui estamos falando de um contingente importante de pacientes. Só no Brasil, os tumores cerebrais respondem por cerca de 4% de todos os tumores sólidos. E haverá aproximadamente 11.490 novos casos por ano, segundo dados da Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

É nesse cenário que entra um conceito que pode mudar o jogo: o perfil de metilação do DNA. De forma simplificada, a metilação é como uma marca química que liga ou desliga genes dentro das células. Cada tipo de célula tem a sua própria “configuração” de genes ativos ou silenciados. A esse conjunto de mecanismos que regulam a expressão gênica damos o nome de Epigenoma.

O mesmo princípio vale para os tumores, em especial para os tumores cerebrais. Ou seja: cada tipo de câncer deixa uma espécie de “assinatura epigenética” no DNA. Esse mecanismo não é exclusivo dos tumores cerebrais e ele está presente em todas as células do corpo e tem se mostrado uma ferramenta poderosa também em outros tipos de câncer, como os de pulmão, mama, próstata e intestino. E essa assinatura genética pode ser identificada através de um teste molecular específico para tumores cerebrais, batizado em nossa instituição como MethylBrain.

O padrão de metilação global do DNA pode ajudar não apenas a classificar tumores e prever seu comportamento, mas também a indicar respostas a determinados tratamentos, como no caso da metilação da região promotora do gene MGMT no glioblastoma. Além da oncologia, estudos têm mostrado o papel da metilação em doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e metabólicas, reforçando seu potencial como um marcador biológico de ampla aplicação na medicina de precisão.

Por que isso é importante? Porque, ao analisar essa assinatura, os médicos conseguem identificar com mais precisão o tipo de tumor cerebral, prever como ele pode se comportar e até estimar quais tratamentos têm mais chance de funcionar. Isso significa mais clareza no diagnóstico e planos terapêuticos mais personalizados.

Na prática, estamos falando de uma verdadeira revolução: sair de diagnósticos baseados apenas na aparência do tumor e passar a enxergar também suas características invisíveis, guardadas dentro e acima do DNA.

Na minha visão, esse é um caminho sem volta na medicina. A metilação do DNA mostra que cada paciente merece um olhar único. Mais do que nunca, não se trata apenas de combater a doença, mas de oferecer o tratamento certo, na hora certa, para a pessoa certa.

Na Dasa Genômica, essa tecnologia já é uma realidade, incorporada à rotina diagnóstica e disponível para os pacientes. O desafio agora é ampliar o acesso a esse tipo de exame, levando os benefícios da genômica e da epigenética a um número cada vez maior de pessoas. Afinal, a inovação só cumpre seu propósito quando chega ao paciente, contribuindo para diagnósticos mais assertivos e decisões clínicas mais personalizadas.
 

Dr. Felipe D’Almeida Costa – Patologista e Coordenador Médico de Educação em Patologia da DASA

CRM-SP 136.410

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