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Setembro Amarelo: sinais que o cuidado não pode ignorar – por Suely Buriasco

Durante muito tempo, o suicídio foi cercado por silêncio, vergonha e julgamentos morais. Acreditava-se que não falar sobre o assunto seria uma forma de proteção. O Setembro Amarelo contribuiu para romper esse paradigma ao demonstrar que abordar o tema com responsabilidade não incentiva o ato, mas amplia as possibilidades de prevenção e acesso ao cuidado.

O sociólogo Émile Durkheim, ainda no século XIX, mostrou que o suicídio não pode ser compreendido apenas como uma decisão individual. Ele também está relacionado à forma como a pessoa se percebe ligada, ou desligada, da sociedade. Quando os vínculos se fragilizam e o sentimento de pertencimento desaparece, o sofrimento pode assumir proporções devastadoras.

Sob a perspectiva psicanalítica, a dor emocional nem sempre encontra palavras para ser elaborada. Aquilo que não consegue ser dito pode surgir como isolamento, desesperança, agressividade, descuido pessoal ou ruptura com atividades antes significativas. Por isso, mudanças persistentes de comportamento não devem ser tratadas com indiferença.Também é preciso abandonar a ideia de que somente a tristeza evidente representa risco.

Algumas pessoas mantêm a rotina, trabalham, sorriem e convivem socialmente enquanto enfrentam uma batalha silenciosa. Outras começam a se despedir de maneira indireta, distribuem objetos importantes, falam repetidamente sobre desaparecer ou demonstram acreditar que são um peso para os demais. Diante desses sinais, cuidar não significa assumir o papel de especialista ou tentar resolver tudo sozinho. Significa aproximar-se sem julgamento, perguntar com sinceridade, escutar sem interromper e incentivar a busca por ajuda profissional.

Frases como “isso é falta de força”, “você tem tudo” ou “pense positivo” podem aumentar a culpa e aprofundar o isolamento. Acolher é reconhecer a dor do outro, mesmo quando não conseguimos compreendê-la por inteiro. A prevenção também se constrói nos vínculos cotidianos. Uma conversa atenta, uma presença constante e a disposição de procurar ajuda junto com a pessoa podem abrir caminhos onde ela já não consegue enxergar saída. Em situações de risco imediato, é indispensável buscar atendimento de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

O Setembro Amarelo nos lembra que observar é uma forma de cuidar, escutar é uma forma de acolher e agir é uma forma de proteger. Nem sempre teremos as palavras perfeitas, mas podemos oferecer presença. E, quando a esperança de alguém parece enfraquecida, a nossa atenção pode ser a ponte para que essa pessoa volte a acreditar na vida.

Suely Buriasco – Mediadora Corporativa e Escritora

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