Ao votar, hoje, me senti uma cidadã de primeiro mundo. Havia uma multidão. Voto desde os 18 anos, tenho 95 e nunca vi uma eleição tão concorrida. O carro levou alguns minutos para chegar ao local de votação, pertinho da minha casa. Achei que ia ser muito difícil. Não foi. Mal desci do carro, um dos guardas na porta (não sei se era do colégio, não sei se era integrante do sistema eleitoral) correu a dizer ao meu motorista que entrasse na garagem do colégio para que eu não precisasse andar muito. Na volta, outro guarda me acompanhou até o elevador.
A ascensorista me indicou o andar. Como não enxergo nada, logo ao sair do elevador encontrei uma garota com um crachá e perguntei pela minha seção. Foi me acompanhar à sala. Havia uma fila enorme e uma fila razoável dos prioritários. A garota, segurando no meu braço, chegou à primeira pessoa da fila prioritária e perguntou quantos anos ela tinha. Era uma senhora meio escangalhada, cheia de rugas, achei que era mais velha que eu, mas a escangalhada respondeu que tinha 77. Então a garota disse que ia me passar na frente, eu era prioritária das prioritárias.
Entrei na sala timidamente, com minha bengalinha, e o presidente da mesa se levantou e me estendeu a mão: “Parabéns por ter vindo”. Também o cumprimentei, pensando: “Será que eu o conheço, aqui do bairro?”. Me fizeram assinar uma lista e, em seguida, sentar, esperando minha vez. O presidente da mesa tentou obter minhas impressões digitais, avisei que não tinha nem mais uma remota linhazinha, mas ele tentou, tentou e desistiu.
“Pode ir para a cabine, por favor”. Fui. Apavorada, tinha esquecido a colinha que fizera em casa. “Sua burra!”, pensei de mim. Mas cheguei na cabine e lembrei todos os números de Mara Gabrilli, Tábata Amaral (essa menina é o máximo!), Marina Silva e Simone Tebet. Aí votei no Haddad e no Lula.
Tenho que confessar que não gosto do Lula. Ego do tamanho do Pão de Açúcar! E mais umas coisinhas que lembro e odeio. Mas agora a questão é de vida ou morte. Não suporto o filho do Bozo, a mulher do Bozo, a família toda do Bozo e mais o próprio. Se o país cair na mão dessa família, vai andar quilômetros para o passado. Será uma desgraça!
E antes que me esqueça, vi Boris Casoy hoje aos berros, dizendo que há milhares de coisas muito importantes para fazerem pelo Brasil, mas que estão discutindo Nossa Senhora Aparecida. Pois olha, Boris, estou é agarrada com ela, agarrada no mantinho dela, olho a cara pretinha dela e rezo, rezo, rezo! Protege este país, Cidinha! Acho que pela minha idade não consigo ver este país se aprumar, mas tenho sobrinhos, sobrinhas-netas, tenho sobrinhos-bisnetos, tenho que pensar neles. E por favor, minha amiga muito e muito querida, deixa eu durar até a próxima eleição! Gostei tanto de votar hoje!












