A Folha de S.Paulo, que distribui lições de transparência ao país, admitiu ter recebido Daniel Vorcaro na sede do jornal em agosto de 2024 e escondido o encontro dos próprios leitores, a pedido do banqueiro. A regra da casa é registrar toda visita oficial na última nota do Painel, sua principal coluna, com o nome de cada presente. Para o dono do Master, a regra foi suspensa sem aviso.
Não foi um café qualquer. Segundo mensagens obtidas pelo Metrópoles, Vorcaro prometera R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para segurar uma reportagem sobre ele, numa semana decisiva para salvar o banco. Barros relatou que o diretor de redação, Sérgio Dávila, atendera ao pedido. O perfil saiu 22 dias depois, e Barros embolsou o prêmio. A Folha alega que o texto não estava pronto e que Dávila nada sabia do pagamento, versão que não justifica esconder o encontro dos leitores.
O manual de redação da Folha ensina que suprimir informação altera o sentido da notícia. O jornal suprimiu a visita, só confirmou os R$ 516 mil em anúncios do Master quando encurralado e ainda tentou desviar o foco para o concorrente. A Folha de linha progressista que se arvora em tribunal moral da imprensa foi reprovada pelo próprio manual.
A Folha esquerdopata que cobra transparência de todos, escondeu Vorcaro dos próprios leitores – por Siegfried Albuquerque












