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A hora da verdade – por Tibério Canuto Queirós Portela

Há momentos em que o homem público é intimado pela história. Ele pode se agigantar ou se apequenar, a depender como se comporte.

Kassab vive um momento desses. Dele depende se teremos uma eleição prisioneira da mesmice, como repeteco da mediocridade de 2018 e 2022. Sobre as costas de Kassab cai a responsabilidade de ofertar ao país um projeto de nação e uma candidatura que prepare o país a ingressar definitivamente na era da Inteligência Artificial, das cadeias produtivas globais e do nos levar a superar a divisão política que está nos condenando ao atraso. Os brasileiros precisam se livrar dessa bola de ferro presa aos seus calcanhares.

Só assim poderemos resgatar um traço que marcou a nossa formação histórica e cultural. A conciliação, a capacidade de realizar mudanças estruturais sem rupturas institucionais. Foi assim que superamos a longa noite de 21 anos de ditadura. Foi pela via da conciliação que Juscelino criou o ambiente que fez o Brasil ingressar no futuro, com a construção de um parque industrial de bens de consumo duráveis. E foi pela conciliação, pela moderação que Ulysses navegou até nos levar, em parceria com Tancredo, ao porto seguro da democracia.

Também foi sem rupturas institucionais que Fernando Henrique uniu os brasileiros para modernizar o Estado e estabilizar nossa moeda. O Plano Real foi uma obra da moderação, de explicar e convencer os brasileiros que só com união nos prepararíamos para ingressar no século vinte um.

Voltamos a viver novo momento crucial para o destino de nosso povo. Se seremos capazes de recuperar o terreno perdido para países que até os anos 80 estavam atrás de nós do ponto de vista do desenvolvimento e nos ultrapassaram. Sim, fomos passados para trás pela China, Coreia do Sul, Índia, Vietnã e Irlanda. Todos esses países tiveram um projeto de nação conectado com a economia mundial.

Não estamos diante de uma eleição presidencial qualquer. O destino de nossos filhos – de nossos netos, como é o caso de quem é da minha geração, dependerá se o Brasil terá um presidente a altura desse desafio.

Ou se continuaremos nos dilacerando em um campeonato de mediocridade. Os dois polos que lideram, por enquanto as pesquisas não estão a altura dos desafios. Alimentam-se por rejeições recíprocas sem nada despertar em termos de esperança e de futuro.

Eles são mais do mesmo, mais rejeição, mais xingatório, mais barulho e pouca ou quase nenhuma ideia nos leve à economia da inovação e da Inteligência Artificial.

Confesso a vocês que estava, até o início desta semana cético quanto àpossibilidade de sairmos do ciclo vicioso e tenebroso da mediocridade. Aos oitenta anos, cheguei a pensar se não seria o caso de me poupar, dessa vez.

Mas Eduardo Leite me convenceu que vale a pena lutar, desde que a causa não seja pequena. E a Bandeira que ele empunhou e acena para os brasileiros é grandiosa.

Tancredo pregava “não vamos nos dispersar”. Leite proclama “Vamos nos unir!”

Sim, é possível unir o eleitor preocupado com a segurança e a desestruturação familiar com o eleitor que valoriza os programas sociais como ferramenta da promoção da equidade, caminho necessário para a igualdade. Sim, podemos unir o país para retomar parte do nosso território sob o controle do crime organizado. Sim, podemos unir os brasileiros em torno de uma educação que não só prepare nossos jovens para o mercado de trabalho do século vinte e um e promova a cidadania plena.

Essas bandeiras não são propriedade privada de uma direita tacanha e mesquinha e nem de uma esquerda populista sem responsabilidade fiscal.

Eduardo Leite pode unir quem deve ser unido e está preparado para responder aos desafios deste século
É aqui que a história pôs nas mãos de Kassab uma enorme realidade. Ele pode corresponder ao anseio de milhões de brasileiros, como eu, cansados da disputa histérica e estéril que tem pautado a vida política nacional.

Mas também pode se apequenar, se escolher um candidato que não está a altura desses desafios e que desempenhará, objetivamente, o papel de linha auxiliar do bolsonarismo, independentemente de suas intenções.

A hora da verdade chegou para Kassab. Na segunda feira saberemos se ele está à altura do momento histórico e se seu partido se qualificou para desempenhar o papel de artesão da unidade dos brasileiros e de sua conciliação, como o MDB e o PSDB um dia desempenharam.

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