A crise climática mundial representa um dos maiores desafios da humanidade no século XXI, com impactos profundos e desproporcionais sobre a infância, ou seja, sobre a humanidade que herdará o nosso planeta. A relação entre esse fenômeno global e a educação ambiental infantil é de natureza bidirecional e estratégica, uma vez que, se por um lado a crise ameaça os direitos fundamentais das crianças, a educação ambiental surge como uma ferramenta essencial de mitigação, adaptação e resiliência.
A educação ambiental infantil não deve ser vista apenas como o ensino de práticas de reciclagem, mas como uma pedagogia da sobrevivência e da esperança. Segundo documento da UNESCO intitulado Climate Change Education. (https://www.unesco.org/en/climate-change/education), ela desempenha funções cruciais no contexto da emergência climática, capacitando a criança a compreender, de forma lúdica e adequada à sua idade, o funcionamento dos ecossistemas e a importância do equilíbrio planetário, além de preparar as novas gerações para lidar com as mudanças inevitáveis, fomentando a capacidade de adaptação e a resolução criativa de problemas. Outro efeito fundamental é mitigar a paralisia gerada pelo medo (ecoansiedade), transformando o conhecimento em ação coletiva e consciência cidadã.
Segundo pesquisa do professor James J. Heckman, laureado com o Prêmio Nobel de Economia, cujo trabalho foi consolidado na Heckman Equation (https://heckmanequation.org/), o investimento no desenvolvimento da primeira infância é a estratégia econômica mais eficiente para o crescimento do capital humano a longo prazo. Complementarmente, o Center for High Impact Philanthropy da Universidade da Pensilvânia reforça esses dados em seu guia sobre o ROI da Primeira Infância (https://www.impact.upenn.edu/), destacando que cada dólar investido pode gerar um retorno para a sociedade em produtividade e redução de custos sociais de US$ 7 a US$ 10. O investimento social privado em educação ambiental infantil não é, portanto, apenas uma ação de caridade, mas uma decisão estratégica de negócios que impacta diretamente os indicadores de ESG (Environmental, Social, and Governance) das empresas. De acordo com a Equação de Heckman, o investimento na primeira infância apresenta um ROI (Retorno sobre Investimento) de 7% a 13% ao ano, além de projetos infantis gerarem uma percepção altamente positiva, pois a empresa deixa de ser vista apenas como uma “vendedora de produtos” e passa a ser uma “agente de transformação social”.
Isso leva ao aumento do Brand Equity (valor da marca), um ativo intangível que compõe o valor de mercado da companhia. Consumidores “orientados por valores”, segundo a Vena Solutions, já sãoquase metade dos consumidores globais (44%), priorizando marcas com compromissos socioambientais claros. Esses dados são corroborados por relatórios da S&P Global, que indicam que 90% das empresas do índice S&P 500 já integram ações de educação e sustentabilidade em seus relatórios de governança. A Deloitte, em seu levantamento sobre Investimentos em Sustentabilidade (https://www.esgtoday.com/), aponta que 83% das empresas aumentaram seus aportes em ESG no último ano.
O resultado da educação ambiental infantil nos Estados Unidos pode ser mensurado nos Relatórios do U.S. Green Building Council (USGBC), através do Center for Green Schools, que apontam no documento Knowing the Facts: Green Schools (https://www.usgbc.org/) reduções médias de 20% a 30% no consumo de energia e de até 50% no uso de água em escolas certificadas. Outro dado interessante nesse contexto vem do National School Choice Awareness Foundation, que, em janeiro de 2026, apontou que 75% dos pais consideraram trocar seus filhos de escola, buscando valores mais alinhados às suas expectativas atuais de educação ambiental.
No cenário nacional, a importância estratégica para as escolas é reforçada por dados divulgados pelo Correio Braziliense, indicando que 67% dos brasileiros atribuem às instituições de ensino a responsabilidade primordial pela educação ambiental.
Há, portanto, uma percepção crescente de que a construção de um futuro possível, diante da atual crise climática, passa indubitavelmente pela educação ambiental infantil. Proteger a infância hoje significa adaptar as cidades e as escolas para o calor e os eventos extremos, enquanto educar para o clima significa formar cidadãos capazes de regenerar o planeta. A integração da temática climática nos currículos não é mais uma escolha pedagógica, mas um imperativo ético e de direitos humanos, para garantir que as futuras gerações tenham não apenas conhecimento, mas a resiliência necessária para prosperar em um mundo em transformação.
Karin Brüning é cientista e ambientalista, licenciada em Química pela Universidade de Heidelberg (Alemanha), doutora em Síntese de Dendrímeros de Carbosiloxanos pela UFRJ, com pesquisas no MIT. Fundadora da @playrecycling, plataforma de educação ambiental.












