Sabem aquele provérbio segundo o qual “quem não trabalha, não come”? Pois eu o reescrevi pra mim mesmo e ele agora ficou assim: “quem trabalha e não come, morre de fome”! Ainda mais quando trabalhar significa escrever 37 páginas por dia durante seis dias da semana… e fazer a revisão de tudo que escreveu no sétimo dia, ou seja, trabalhar sem nenhuma folga, de domingo a domingo, durante 180 dias.
Nesses meus verdes 82 anos achei que seria impossível enfrentar um esquema desses… Porém, com a preciosa divisão do trabalho que faço com Virgílio Silva e Ze Dassilva, co-autores de Três Graças, não apenas me divirto como sigo orgulhosamente em frente.
Quanto a comer… Não se trata apenas de comer o que aparecer pela frente, mas também fazer a comida… E fazê-la do modo mais sofisticado possível. Hoje ela foi bem simples: filés de peixe com legumes da horta e, claro está, um belo vinho. Mas o prato, como vocês podem ver, ficou lindo.
São 19:26 aqui onde me encontro. Só pude escrever esse texto agora, quando finalmente encerrei meu dia de trabalho. Quer dizer, encerrei em parte, porque anda terei que ver o capítulo de hoje da novela, como é de praxe.
Se ainda tenho tempo pra fazer mais alguma coisa além do trabalho e da comida? Não me perguntem, ou eu os chamaria de “curiosos”.
Mas minha vida é simples. Depois de escrever e ver filmes ou séries, ler é desde os doze anos o meu maior luxo. Lembro até hoje dos meus quatorze anos, quando comecei e trabalhar e, no dia em que recebi o primeiro salário, entrei na Livraria Moderna, no Recife, e comprei vários livros. Um deles, “Com a morte na alma”, de Jean-Paul Sartre, eu tenho até hoje.
Na época eu já “brincava de escrever”, sem saber que, na verdade, era escritor, profissão que, graças ao meu bom deus, ainda exerço . Tanto, que, depois de escrever as tais 37 páginas diárias da novela ainda achei que seria divertido escrever esse texto.
Antes que te comam – por Aguinaldo Silva












