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Conectados, mas não incluídos: o desafio digital da população idosa – por Antonio Tuccilio

O uso da internet entre pessoas com mais de 60 anos cresceu de forma consistente no Brasil nos últimos anos. A presença de celulares e o acesso a serviços digitais se tornaram parte da rotina, inclusive para tarefas que antes dependiam de atendimento presencial. Ainda assim, esse avanço não se traduz automaticamente em autonomia no uso das tecnologias.

Boa parte dos idosos consegue realizar ações básicas, como trocar mensagens ou acessar conteúdos simples. Entretanto, sentem muita dificuldade quando as plataformas exigem múltiplas etapas, validações de segurança ou familiaridade com uso de aplicativos e sites. O problema não é o acesso e passa a ser a capacidade de realizar ações online com segurança e independência.

A digitalização dos serviços públicos torna essa limitação mais evidente, e excludente. Solicitações de benefícios, agendamentos e consultas passaram a depender de aplicativos e portais online. Isso não só limita o acesso útil, como deixa esse grupo mais suscetível à fraudes. O caso recente envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS evidenciaram a gravidade desse problema, pois a maioria dos aposentados não acompanhavam seus extratos digitais com frequência ou sequer utilizavam o aplicativo do INSS, o que contribuiu para que irregularidades passassem despercebidas por longos períodos.

O fato é que os sistemas digitais nem sempre atendem a diversidade de perfis dos usuários. Interfaces complexas e processos pouco claros acabam exigindo um nível de familiaridade digital que grande parte da população não possui. Quando o atendimento presencial é reduzido sem alternativas adequadas para compensar, as dificuldades individuais se transformam em limitação e exclusão estrutural.

A ampliação do acesso à internet representa um avanço relevante, mas não resolve, por si só, o desafio da inclusão. A digitalização de serviços precisa ser acompanhada por iniciativas de educação digital, revisão do desenho das plataformas e manutenção de canais de atendimento humano. Sem esse conjunto, a tecnologia tende a ampliar desigualdades já existentes.

Garantir que a população idosa consiga utilizar, com segurança, os serviços digitais disponíveis não é apenas uma questão de adaptação tecnológica. Trata-se de assegurar que a modernização da administração pública não comprometa o acesso efetivo a direitos, ponto que a CNSP tem reiterado ao defender que a evolução dos serviços públicos preserve condições reais de acesso para toda a população.

Antonio Tuccilio

Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos

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