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DIÁLOGO COM JOÃOZINHO por José Crespo

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O texto abaixo apareceu nas redes sociais, recentemente, e é digno de ser repercutido, também neste espaço de cidadania e cultura refinadas.

Trata-se de um novo diálogo entre Joãozinho e seu professor.

“Professor, o que é mais importante, o Povo ou a Constituição ?

– Ora, o povo! A constituição é apenas a materialização da vontade do povo.

E quem escreve a constituição ?

– Os representantes do povo, Joãozinho.

E quem cuida da constituição ?

– A mais alta corte do poder judiciário.

O povo pode mudar a constituição ?

– Diretamente não, somente por meio dos seus representantes.

E se esses representantes não a quiserem mudar ?

– Aí não muda.

A mais alta corte pode mudar a constituição ?

– Não, só pode cumpri-la.

E a cumpre ?

– Ultimamente, não.

E o que deve ser feito, nesse caso ?

– Bem, os representantes podem afastar as pessoas dessa mais alta corte.

E afastam ?

– Não.

Mas então o que pode ser feito, já que os representantes não os afastam ?

– O povo pode mudar os representantes, nas eleições seguintes.

Todos os representantes podem ser mudados ?

– Podem, mas isso nunca acontece, pois dos mais de 500 existentes, apenas 10% chegam lá pelo voto.

Como assim ?

– A lei eleitoral impõe a Proporcionalidade como um preceito fundamental, o que distorce a vontade popular.

E quem fez essa lei ?

– Eles mesmos, os representantes do povo, como um artifício que favorece se perpetuarem nos cargos.

E por que eles não querem depender dos votos ?

– Porque o povo já percebeu que na verdade eles não representam os eleitores.

Como funciona essa “proporcionalidade” ?

– Eles arranjam alguém famoso para concorrer, um jogador de futebol ou humorista por exemplo, e essa pessoa consegue tantos votos que “puxa” os demais.

Com 10% de famosos eleitos e 90% de “puxados”, a maioria vai trabalhar para quem?

– Certamente a prioridade dessa maioria não será os interesses do povo.

E quem fixa os salários dos representantes ?

– Eles mesmos.

E os seus aumentos e penduricalhos ?

– Eles também.

Que outras vantagens eles criam para uso próprio ?

– Para as eleições, milhões dos fundos partidário e eleitoral, e durante os mandatos, milhões em verbas “de gabinete”, emendas orçamentárias para seus currais eleitorais, propinas de todos os tipos e tamanhos, tratamentos de saúde, inclusive estéticos, para todos os familiares, hotelaria e transportes gratuitos, assessores às pencas e aposentadoria privilegiada.

Professor, já que o povo não consegue afastá-los, pode ao menos reclamar desses abusos na mais alta corte do judiciário ?

– Pode, mas não adianta, pois essa corte vive num luxo e abusos ainda maiores do que os dos representantes, e os protegem para que tudo continue como está. Aliás, os membros dessa corte são sabatinados e aprovados pelos mesmos representantes, trocando favores e um não implicando com o outro.

E o presidente da república, a maior autoridade, pode tirar essas pessoas da mais alta corte ?

– Esse não pode tirar ninguém, e pode ser incriminado e tirado pelos outros, com motivos ou até imotivadamente.

Professor, explica: se os representantes do povo não representam o povo, a mais alta corte é conivente e o presidente pode se tornar refém de ambos, não conseguindo governar, como reformar o país ou pelo menos fazer justiça social ?

– Não há o que fazer, Joãozinho.

Como assim, professor ? Tem que existir algo a ser feito !

– Não há. Temos que nos conformar, obedecer às leis, sejam elas quais forem, pagar todos os impostos, que sustentam toda essa bandalheira, e de preferência ficar quietos.

Ficar quietos ?

– Sim, para evitar sermos presos, difamados e espoliados ainda mais.

E o comunismo, professor ? Não seria a solução para acabar com todos esses males ?

– Você ainda não percebeu, Joãozinho. Já estamos no comunismo,  onde poucos trabalham para sustentar os demais e pagam os maiores impostos do mundo. A diferença é que em países pequenos e com poucas riquezas naturais, o povo rapidamente se torna miserável. Aqui ainda temos reservas e resistências, por mais algum tempo.

Mas e a disputa entre partidos e políticos da esquerda com os da direita ?

– Dentro das casas do poder, Joãozinho, não existe nem direita nem esquerda. Os dois grupos vivem apenas fingindo brigas e disputas. Nossa política é como o som de um violino.

Violino ?

– Sim, segurando com a esquerda e tocando com a direita.

Socorro, professor ! Tudo isso parece um pesadelo, um filme de terror. Tem certeza de que não existe alternativa ?

– Em tese existe, Joãozinho: seria um pacto para todos fazerem a coisa certa… mas você se engajaria ?”

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12/1/2024

José Crespo foi deputado estadual na ALESP/SP por três legislaturas a atualmente é presidente do ICPP – Instituto de Cidadania e Políticas Públicas.

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1 comentário

1 comentário

  1. Mário Rubial Monteiro

    janeiro 15, 2024 at 11:44 am

    Texto perfeito. Gostaria de ter escrito.O Brasil jamais será um país que preste!

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