Pois é. Eu só queria sair a pé neste país violento.
É pedir muito?
Para acessar o comércio próximo da minha residência, vou de carro. Logo eu, que há quarenta e cinco anos caminho diariamente 5.000 metros. Calculados com rigor. Só que faço isso dentro do meu condomínio. Afinal, sou um prisioneiro. Imaginem um velhinho – em bom estado, acrescento – saindo pelas ruas violentas desta São Paulo que já foi tranquila, há décadas.
Lembro dos anos 60 quando estava curtindo meus quase 16 anos. Saia tranquilamente na madrugada, sem medo! E a pé, já que o transporte coletivo parava por volta de uma da madrugada.
Hoje, todos neuróticos com a situação. Mil providências: eu e muitos amigos não usamos mais relógios. Alguns compram celulares ultrapassados apenas para receber e fazer chamadas. Tem até nome: “o celular do ladrão”! eu e minha esposa, que usamos alianças de casamento há 51 anos, estamos decidindo se continuamos a usar. Mas se tirarmos, o que oferecer ao ladrão? Já temos casos que terminam em assassinato porque o pobre do cidadão nada tem a oferecer.
Ah, mas a polícia prende. É verdade. Mas aí vai para delegacia, audiência de custódia e, de novo…na rua. Ou seja, um incentivo fundamental para o meliante continuar assaltando. Mas só para “ tomar uma cervejinha” como já afirmou o cara que habita o Palácio do Planalto, em Brasília.
Comemoro o fato de chegar aos quase 82 anos. Afinal, tenho mais passado do que futuro e, logo logo, devo ser chamado pelo Chefe Supremo.
FRASE DE BOTECO
“Eu não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado”.
Luis Fernando Verissimo












