Taianara Souza foi apenas mais um nome entre milhares que passam a compor uma estatística assustadora em um país onde a violência contra a mulher, infelizmente, vem sendo banalizada. E há ainda aquelas que sequer entram nos registros oficiais.
O caso é um retrato fiel e cruel de uma realidade que, quando observada com atenção, revela algo ainda mais profundo: essa violência sempre existiu. A diferença é que houve um tempo em que as mulheres não tinham voz, direitos ou espaço para se posicionar. Hoje, os casos ganham visibilidade não por serem novos, mas porque as mulheres passaram a falar. Ainda assim, a voz feminina e tantos outros gritos de socorro precisam ser efetivamente ouvidos, e as leis precisam ser mais rigorosas. Ao acompanhar o noticiário diário, percebo o quanto torna-se evidente que a violência não se restringe apenas ao feminicídio. Ela se manifesta nas relações humanas, em diferentes contextos, como reflexo de uma sociedade adoecida.
A bem da verdade, após a pandemia, parece que as portas do inferno foram escancaradas. O ódio, a intolerância e o desamor tomaram as ruas de forma explícita. Basta olhar ao redor para perceber que a violência já faz parte do cotidiano, inclusive nos pequenos gestos. A falta de civilidade tornou-se regra. Atitudes que antes causavam constrangimento hoje são normalizadas. Um simples “bom dia”, porta de entrada para qualquer diálogo humano — tornou-se raro. Poucos oferecem, menos ainda respondem.
Vivemos uma soma de fatores extremamente preocupantes, agravados pela ausência de políticas públicas eficazes e pelo abandono do Estado em questões fundamentais. Casos como o de Taianara, falecida no último dia 24/12, após ser vítima de requintes de crueldade e tortura, nos obrigam a refletir. Mas reflexão, por si só, não basta.
Há muito a ser feito para que possamos, de fato, romper com essa realidade brutal. Combater o feminicídio exige mais do que indignação momentânea: exige educação, responsabilidade social, políticas públicas consistentes e, sobretudo, humanidade.












