Antigamente, todas as casas possuíam jardim e quintal. Na parte posterior da residência, havia pomar, galinheiro e horta. Infelizmente, a ocupação insensata do solo urbano trouxe o desaparecimento desses espaços, com a cruel cultura da impermeabilização.
Mas nem tudo está perdido. A maior e melhor Universidade brasileira cuida de fortalecer a agricultura urbana, como estratégia de promover a saúde e as ações agroecológicas dentro e fora dos campi da USP. Assim o 2º Encontro das Hortas da USP, no IEE da Cidade Universitária, dia 2 de outubro, das 8 às 17 horas. Haverá também transmissão ao vivo pelo canal da Rede Saúde Planetária Brasil no YouTube.

Crédito: Cecília Bastos/USP Imagens
É a continuidade da primeira edição, realizada em setembro de 2025, de que resultou o mapeamento e a publicação do Guia de Hortas da USP. São dezenas de hortas espalhadas, a maioria delas surgidas de movimento espontâneo e comunitário.

Aquilo que partiu de necessidade nostálgica, passou a representar uma fórmula de aprimoramento do convívio. Atende não apenas às urgências ambientais, afligidas com a falta de verde, mas também à alimentação saudável. E, no caso das Hortas da USP, se transformaram em novos espaços de ensino, pesquisa, extensão, inclusão e segurança alimentar.
A Universidade de São Paulo as converteu em áreas protegidas, garantia de status análogo ao de outros equipamentos permanentes da Universidade e legitimadas como espaços voltados à prestação de serviços ecossistêmicos não só para a comunidade acadêmica, mas também para servir e motivar o entorno.
É preciso mostrar e convencer a sociedade de que a agroecologia sempre esteve enraizada na experiência da comunidade, como importante fator de produção de alimentos saudáveis, refúgios para o convívio, cuidado coletivo e promoção do bem estar. Todas as cidades podem implementar algo semelhante, para benefício de sua cidadania e para incrementar a qualidade de vida de seus moradores.
Se as hortas comunitárias resistem à célere e nem sempre sadia urbanização adensada e crescente da maior cidade brasileira, o sinal é de esperança na retomada de costumes, hábitos e tradições que não podem ser olvidados. Cuidemos de nossas hortas e formemos novas hortas onde elas ainda não existem.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.












