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O jornalismo – por José Aquino

É natural, até mesmo normal, que – falando de Imprensa – nem todos os profissionais mais tarimbados estejam na redação, prontos para entrar em ação.

Nem sempre se tem à mão um repórter como Carlos Nascimento, na época na TV Globo, para correr para a porta do Hospital das Clínicas e, com a ajuda de uma retaguarda que trabalha muito e não aparece – a não ser internamente – segurar a peteca tão bem.

Tão bem, que acabou dando uma boa virada na sua própria vida profissional. Tornou-se o repórter dos “ao vivo” na tragédia com o presidente Tancredo Neves. E depois apresentador de qualidade.

Sem profissionais tarimbados num momento delicado, especialmente de tragédias, é natural que se escale rapidinho os que estão ali e dizem presente.

Mas, é imperioso que os do primeiro time sejam logo convocados, ou, independentemente de chamados, se apresentem. Para evitar participação confusa – em coletivas com técnicos no assunto -, de gente da área que não conhece..

Não é bom que sejam criticados. Só quem já viveu momentos parecidos, de correria, de desespero, sabe como é difícil. Como se bate cabeça. Como se corre, se cobra e se é cobrado.

Vivi alguns, felizmente nenhum da dimensão de o rompimento de uma barragem, onde se fala em centenas de desaparecidos, muito provavelmente mortos.

Quando Airton Senna sofreu o acidente que roubou sua vida, eu estava de férias, 700 quilômetros de São Paulo. A chefia jornalismo da Tv.Globo, mandou algum auxiliar ligar para minha casa.

Minha filha disse que eu estava viajando e, a pedido, passou o telefone do local onde me encontrava. O auxiliar, na certa desesperado e ouvindo cobranças, fez a ligação sem notar pelo menos que o prefixo não era de São Paulo.

Passou o telefone para o Rose, competentíssima, que disparou contra mim, cobrando minha presença e criticando a demora. Eu tentava explicar a ela que estava de férias, muito longe de São Paulo, mas ela não me escutava.

Ela cobrava e eu dizia os nomes das pessoas para as quais ela devia mandar ligar e que, na verdade já deviam ter-se apresentado. Em vão. A Rose pedia que eu adiantasse onde morava a família do Senna, os telefones e falasse com o pai dele.

Eu disse que era na rua Tupi, num edifício enorme, que se destacava entre os outros, menos de 800 metros da emissora, que dava para ir a pé, mas ela queria o número do prédio e do apartamento, os nomes das pessoas…

No desespero se perde muito da audição, da tranquilidade, do humor e é necessário que os mais experientes se apresentem rápido para render os mais novos, que por ventura tenham pegado o bastão no momento inicial.

Com eles na linha de frente e na retaguarda, as entrevistas tornam-se mais claras para quem está em casa torcendo, muitas vezes chorando….

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