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O medo e o riso – por Gaudêncio Torquato

Entre as cenas inapagáveis de minha memória, uma faz questão de aparecer constantemente para me levar às proximidades da Faculdade de Direito do Recife. O Curso de Direito da capital pernambucana, como é sabido, é um dos mais antigos do País. Foi criado em 11 de agosto de 1827 por um decreto imperial, juntamente com a Faculdade de Direito de São Paulo. Até então, segundo apurei, a maioria dos bacharéis em Direito, juristas e advogados no Brasil era formada pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

Pois bem: os idos de 1964 são aqueles pesados, de chumbo grosso. Eu, no ardor dos 20 anos de idade, relembro que começava a minha trajetória no jornalismo. Foi quando o medo se juntou ao riso, ao presenciar uma tropa de choque do Exército, montada em cavalos, correndo de maneira desbaratada para reprimir os estudantes nas proximidades da Faculdade de Direito.

O burburinho era alimentado por rojões, bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e pauladas. O medo ganhou ares de riso quando dezenas de cavalos se desequilibraram com as milhares de bolinhas de gude jogadas pelos estudantes sob as patas dos animais.

Um festival de quedas espetaculares ali se instalou. Medo e riso, juntos, compõem a paisagem daqueles nebulosos tempos. O ciclo do medo se fecha em mais uma cena hilária.

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