Nunca vi, na história brasileira, alguém mais bem relacionado que Vorcaro. O inimigo de todos tem segurado a delação para não complicar os amigos. Sabe guardar segredos. É inteligente para não se queimar com os importantes amigos que fez.
Estar preso não tem importância. O Brasil já teve um presidente preso por corrupção, outro por tentativa de golpe de Estado. Logo, prisão é irrelevante. Um foi solto por nulidade processual; outro pode ser solto por anistia, dependendo de como andarem as coisas.
Seria ele unanimidade na esquerda e na direita. É o que têm mostrado os fatos revelados. Ser-lhe-ia facílimo dominar o Congresso. Com as amizades que tem, com as prebendas distribuídas, conseguiria aprovar todos os projetos de lei que encaminhasse e as medidas provisórias baixadas. Teria o controle das duas Casas.
Ninguém pode duvidar de sua inteligência e de sua facilidade em se relacionar com todos. Se logrou fazer amigos com inúmeros representantes da política, fácil seria implantar um plano de governo. Teria na administração as melhores cabeças, dirigidas em todos os âmbitos necessários para uma grande administração. Se com os recursos do banco Master fez o que fez, imaginem o que não faria com todas as receitas governamentais!
Na área da agricultura, teria grandes representantes, na educação da mesma forma, e o mesmo se diga na indústria. Concedeu empréstimos, conseguiu plano para comprar pré-precatórios, coisa que quase ninguém havia descoberto. Gerou fortunas. Imaginem o que não pode fazer um homem desses à frente do Executivo!
Do governo obteve o que quis. Aproximou-se do Banco Central, tinha informantes, o que facilitava todo tipo de transação. Ingressou num âmbito que poucos acreditava que poderia ser invadido. Conseguiu e tinha informações privilegiadas. Imagina o que não poderia fazer no governo se lograsse entrar em banco centrais de outros países?
No relacionamento com o Congresso Nacional, tinha parlamentares comprometidos com seus interesses que apresentavam projetos de lei e faziam emendas “jabutis” nos que tramitavam. Muitas vezes, nem relacionamento com a matéria que lhe interessava tinha, mas lograva inserir artigos, alíneas, itens e parágrafos sequer sonhados pelos propositores dos projetos ou pelas mãos do Executivo, em medidas provisórias.
Os presidentes das duas Casas do Congresso estavam de acordo.
De outro lado, logrou fortes amigos “para a vida” no Judiciário e no Ministério Público. Conseguiu decisões, ser informado quando deveria agir, celebrou contratos milionários, financiou obras e hotéis, pagou noites de amor, bancou viagens, festas notáveis com uísque, vinho e charutos. Tudo de primeira. Para ninguém reclamar.
Esse é meu candidato a presidente. Fez tudo ao arrepio da lei, mas o que isso tem se o bem do país for atendido? A construção de um império não se faz sem relacionamento, especialmente em Brasília, onde tudo vive da proximidade do poder.
No país do besteirol, imagino o que não faria Stanislaw Ponte Preta com sua inteligência e sua língua apurada! Este artigo é imitação canhestra do festival de besteira que assola o país, o famoso Febeapá.
Logro ter o Parlamento a meu lado, porque busco amizade em todos os partidos. O rótulo é de pouca importância. A sigla é irrelevante. O que vale é a amizade com gente graúda, que possa resolver problemas. Se tenho amizade no Judiciário, para que me preocupar com o resto? Se consigo obter favores dentro do Executivo, tenho tudo para ser um presidente irreprochável. Consigo tudo para o país.
O homem é inteligentíssimo. É hábil, É conciliador. Sabe manipular os desejos das pessoas com dinheiro, mulheres, viagens, com bons hotéis e festas maravilhosas que deixam os desdentados de Brasília de queixo caído e entram na sedução com facilidade.
No povo ele não pensa muito, mas quem pensa no povo? O povo é mera massa de manobra. Ele está errado?
Um homem com tais habilidades, não deveria estar preso. Mas, ser entronizado em algum partido como candidato a presidente. Seria sensacional tem um homem com tais qualidades na liderança do Executivo. Conseguiria aprovar todos os projetos, quem sabe um plano de salvação para o país. Conseguiria todas as decisões que quisesse na Suprema Corte e poderia encaminhar todos os projetos de interesse púbico. Seria, sem dúvida, o homem ideal para gerir o país.
E viva o Brasil. Vorcaro presidente! Viva sarcasmo!
Regis Fernandes de Oliveira
Professor titular aposentado da USP e desembargador aposentado.












