Crise republicana Golpe de 1891
Prometendo convocar novas eleições e fazer uma revisão na Constituição, Deodoro da Fonseca fecha o Congresso em 3 de novembro de 1891.
Pressionado pela oposição é obrigado a renunciar vinte dias depois.
Guerra de Canudos
O líder messiânico Antônio Conselheiro funda no interior da Bahia o arraial de Canudos e defende a volta da Monarquia. Depois de quatro expedições oficiais, a última delas enviada pelo Presidente Prudente de Moraes, em 1897, o governo consegue arrasar a cidade e matar Antônio Conselheiro.
Revolta tenentista
Na década de 20 explodem revoltas de militares insatisfeitos com as oligarquias da República Velha. Um de seus líderes é Luiz Carlos Prestes. Em 1924, os tenentistas tomam a cidade de São Paulo, mas são rechaçados por tropas do governo Arthur Bernardes.
Revolução de 1930
Nas eleições para a sucessão do Presidente Washington Luiz, Getúlio Vargas perde para o candidato governista, Júlio Prestes. Alegando fraude na votação, os getulistas promovem rebeliões em vários Estados até tomar o poder.
Suicídio de Vargas
No dia 5 de agosto de 1954, pistoleiros tentam assassinar o jornalista Carlos Lacerda, líder da oposição. Acusado de ter ordenado o atentado e pressionado por pedidos de renúncia, Getúlio Vargas suicida-se, no dia 24 de agosto (forças ocultas).
Renúncia de Jânio
Jânio Quadros assume a Presidência em janeiro de 1961. O desprezo de Jânio Quadros pelo Congresso — “um clube de ociosos” — era tão grande que chegou a indagar a seu perplexo Chanceler – Afonso Arinos: “Ministro,V. Exa. pegaria em armas para defender este Congresso que aí está?”
Jânio Quadros – levou adiante duras investigações de corrupção no Congresso Nacional. Os parlamentares, que apareciam em quase todos os processos de desvios de verba, principalmente no que se refere à polêmica máfia das construtoras durante as obras de criação de Brasília, foram desmoralizados publicamente, o Legislativo entrou em crise.
A partir da sua posse como presidente da República, em 31 de janeiro de 1961. No mesmo dia em que assumiu o cargo, Jânio proferiu, à noite, no programa de rádio Hora do Brasil, um violento discurso contra o Governo Juscelino. No ato da posse. JK reagiu ameaçando esbofetear Jânio. Com isso, a bomba de Jânio não explodiu durante a posse, mas à noite, em discurso pelo programa radiofônico A Voz do Brasil, com JK já fora do País.
Além de apresentar a “terrível situação financeira do país”, criticou a “crise moral, administrativa e político-social” reinante, bem como ressaltou a necessidade de se multiplicarem “órgãos da mecânica democrática, fazendo que surjam, ao lado dos tradicionais, outros, mais próximos das massas”.
No Governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1961), os escândalos ocorreram em função da construção de Brasília, a nova Capital Federal. As rendas fáceis dos empresários, cresceram porque as obras de Brasília eram dispensadas de licitações. Deixa também um rastreamento dos resultados das Comissões de Sindicância instauradas pelo governo Jânio Quadros — as recomendações, e as últimas pistas de cada relatório.
Ainda aguardam que, um dia, os pesquisadores vão atrás.
Além da CPI e das Comissões de Sindicância do governo Jânio Quadros, a construção de Brasília também foi investigada por um ou vários Inquéritos Policiais Militares (IPM) do governo militar, a partir de 1964.
Assim é que a varredura da corrupção passa a significar a instrução de dezenas de inquéritos administrativos (em grande maioria presididos por oficiais militares). Assim ocorreu com as sindicâncias da COFAP (Comissão Federal de Abastecimento e Preços), no Instituto Brasileiro do Café, no IBGE, na
SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito), no Conselho Nacional de Pesquisas, na SPVEA (Superintendência pela Valorização da Amazônia), Rede
Ferroviária Federal, na Cia. Siderúrgica Nacional, na Cia. Vale do Rio Doce, no Departamento Nacional de Obras contra as Secas, entre outros. Os diversos Institutos da Previdência Social foram os mais atingidos.
Voltando a década de 1950, em 1954, outro marco na história da empresa Norberto Odebrecht: o contrato com a então recém fundada (novembro de 1953) Petrobrás para construção do oleoduto Catu-Candeias de cerca de 80 km e que levava o óleo extraído do campo de Catu para a refinaria de Mataripe.
Essa parceira será fundamental para a expansão e consolidação em nível nacional da empresa. De fato, com o sucesso da obra, forma-se uma espécie de parceria entre a Petrobrás e Odebrecht, que já dura quase 63 anos incluindo obras como construção e montagem de refinarias, plataformas marítimas, estações de tratamento de águas, laboratórios, instalações de apoio, pontes, canais, barragens, armazéns, casa de força, dragagens, residências, clubes, estradas, edificações, portos e a perfuração de 140 poços no mar.
Jânio Quadros: “Resolvi reestabelecer relações diplomáticas com a Rússia. Há dois anos havia estado com Khruschev em Moscou e notara o maior interesse da parte dele num intercâmbio legítimo. A troca de representações diplomáticas só poderia engrandecer às duas nações. A Rússia já estava a caminho de se tornar uma superpotência. O Brasil se afirmaria internacionalmente como nação soberana que mantém interesses com as nações que julga de relações repercutiu pessimamente e foi objeto de explorações sem tamanho. Irritei os moageiros poderosos em geral, irritei o mundo do petróleo e do óleo combustível…”
Na virada da década de 1950 para a década de 1960, a URSS estava expandindo suas exportações de petróleo para os países capitalistas. Um documento datado de 9 de junho de 1960 evidencia a preocupação da CIA com a atividade soviética na América Latina.
Moscou “aparentemente está usando o petróleo como um meio para explorar o sentimento nacionalista contra os investimentos dos EUA na indústria petrolífera da América Latina e para romper os padrões de mercado das companhias estadunidenses na área”
O serviço de inteligência dos EUA destaca que, em 1961, “uma grande delegação” de negócios do Brasil, incluindo membros da Petrobras, foi a Moscou para ver se era possível adquirir equipamento soviético especializado. Depois, quatro técnicos soviéticos visitaram São Paulo para aconselhar uma empresa privada a extrair xisto. Assim, o Kremlin poderia fornecer ao Brasil qualquer tipo de equipamento para a indústria de óleo de xisto encontrado no Ocidente e outros exclusivamente soviéticos.
A União Soviética também era o único país que desenvolvia uma indústria de gás de xisto.
Jânio Quadros assumira o mandato em janeiro de 1961 e renunciara apenas sete meses depois, denunciando inclusive a participação estrangeira em conspirações contra ele [forças terríveis].
A preocupação da concorrência com a URSS ainda é mais acentuada, no mesmo relatório, afirmando-se que o governo do então presidente João Goulart tem dado continuidade à política “de desenvolver relações próximas com o bloco sino-soviético” do governo anterior de Jânio Quadros, a quem o agente se referiu como tendo desempenhado “atividades anti-EUA”.
Segundo Jânio: “Encontrei a Petrobrás de joelhos, ou de rastros, sobre a barriga, pedindo um bilhão de cruzeiros ao Banco do Brasil. Quebrada, falida.
Condecora Che Guevara com a Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul e, sem maioria no Congresso, enfrenta dura oposição a seu Governo e às principais reformas. Renuncia em 25 de agosto (forças terríveis), assumindo o Vice João Goulart.
Revolução de 1964
Os militares depõem o Presidente João Goulart em março de 1964. Em 1968, o Ato Institucional n° 5 fecha o Congresso e cassa o mandato de vários deputados. A figura de Jango é cristalizada em apenas dois dias – o primeiro é o dia 31 de março, data do golpe. O segundo, 1º de abril, a fuga. Lembra-se dele de duas maneiras: ou de maneira positiva, o líder reformista, a vítima. Ou então de maneira negativa, fugiu, não resistiu, permitiu a vitória do golpe. Mas sempre nesses dois dias. Esta ali. Sempre nos extremos.
A morte de Tancredo
Tancredo Neves ganha a eleição para Presidente no Colégio Eleitoral, derrotando seu principal oponente, Paulo Maluf em 1985. Morre antes de tomar posse e quem assume o governo é o vice, José Sarney.
Impeachment de Collor
Sem maioria no Congresso Nacional, isolado, Fernando Collor, envolvido em uma campanha de desmoralização, como aconteceu com Getúlio Vargas e Jânio Quadros, leva Fernando Collor a renunciar diante das “forças daltônicas” à Presidência da República. O Congresso Nacional recusa sua renúncia, porque havia um processo de impeachment contra o Presidente Fernando Collor de Mello, o vice, Itamar Franco assume.
Luiz Ignácio Lula da Silva
Em 2002, foi eleito Presidente. Reelegeu-se em 2006. Lula entrega da faixa à sucessora Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2011.
Dilma Rousseff é cassada em seu 2º mandato, assumindo o Vice Michel Temer.
O lado caricato dos Presidentes
O vaidoso
Campos Salles demonstrava preocupação excessiva com as roupas e a aparência pessoal. Seus inimigos o chamavam de “pavão” e baiacu” (um peixe que quando tocado incha).
O dorminhoco
A conhecida sonolência de Rodrigues Alves desde que ele foi Ministro da Fazenda de Prudente de Moraes, divertindo os caricaturistas que o retratavam de gorro e camisolão.
O azarado
Hermes da Fonseca tinha a fama de não ter sorte: “pé frio”. Certa vez depositou o dinheiro de um empréstimo oficial num banco russo que foi encampado pela revolução socialista e nunca honrou o depósito.
O nepotista
O cearense José Linhares, que assumiu em substituição à Getúlio Vargas, em 1945, gostava de empregar a família no governo. Em três meses de mandato, nomeou tantos parentes que o povo dizia: “Os Linhares são milhares”.
O dançarino
Juscelino Kubitschek merecia o apelido “pé de valsa”. Adorava serestas e não era difícil que embalasse a noite toda, dançando até às 5 horas da manhã.
Domador de Massas
Ninguém na história deste País arrebatou multidões tão apaixonadas, mão levantadas em aplausos e tão plenas de esperanças quanto ele. Tudo era ao vivo. Suas maneiras de convencimento eram devastadoras. O comício era o grande cenário; ele, o próprio espetáculo. Ele foi o nosso primeiro e grande comunicador político a utilizar técnicas não convencionais. Carregava nos tons da voz, que levantava no exato instante os temas da paixão. Despertava o ódio, açulava a revolta, levando multidões ao delírio. Em seguida, suavemente dizia o que todos queriam ouvir: a mensagem salvadora. A multidão, aquele mar agitado, parava para escutá-lo, subjugada. Assim era Jânio da Silva Quadros.
O esportista
Fernando Collor de Mello andou de jet ski, comandou um avião de caça, pilotou uma Ferrari a 200km por hora. Também apareceu em público jogando futebol, vôlei, tênis e correndo.
O forreta
Fernando Henrique admite que é pão-duro. Antes das eleições de 1994, contou que não tinha óculos reservas, simplesmente, porque não gostava de abrir a carteira para pagá-los.
Algumas das primeiras-damas brasileiras
A atuação das esposas dos Presidentes revela a trajetória da mulher na sociedade brasileira. Eis algumas delas:
Ana Gabriela de Campos Salles – mulher de Campos Sales (1898-1902), sua preocupação eram os afazeres domésticos do Palácio do Catete.
Nair de Teffé – casada com Hermes da Fonseca (1910-1914), era avançada para o seu tempo. Jovem e elegante, estudou na França, tocava violão, frequentava bares, foi a primeira mulher a trabalhar como caricaturista na imprensa brasileira, gostava de teatro e música popular, promovia saraus no palácio.
Darcy Vargas – desempenhou papel social importante no governo de Getúlio Vargas (1930-1945- e 1951-1954), criando instituições assistenciais como a LBA – Legião Brasileira de Assistência.
Sara Kubitschek – apesar de manter as aparências protocolares, enfrentou brigas com Juscelino Kubitschek (1956-1961). Companheira leal, mulher de pulso forte, jamais perdoou as aventuras amorosas de JK.
Eloá do Valle Quadros – esposa e companheira de Jânio da Silva Quadros, ela o incentivou a ingressar na política. Foi Presidente atuante da LBA – Legião Brasileira de Assistência. Acompanhou a vida política de seu marido de vereador a Presidente e, mesmo doente, esteve presente em seu último mandato como Prefeito de São Paulo.
Segundo Jânio Quadros, foi D. Eloá quem o impeliu para a política. Ela foi sempre sua grande incentivadora.
Jânio deve à D. Eloá e à sua mãe a vida pública. Ambas pareciam pensar pela mesma cabeça, pois, a concordância entre elas era absoluta. Sua mãe foi excelente e inesquecível.
Jânio gostava de contar como conheceu D. Eloá:
– “Meu pai era médico e há muitos anos foi atender uma menina que estava com crupe. Crupe era então, uma moléstia fatal. Os anos rolaram depois disso, eu não conhecia a menina em apreço. Certa vez, eu me encontrava na sacada de nossa casa, no alto do Cambuci, quando a menina, já mocinha, 16 ou 17 anos, entrou com os pais. Iam todos fazer uma visita aos meus. Estava uniformizada com o cordão roxo que marcava as quintanistas de ginásio. Eu me virei para um amigo que estava na minha companhia e lhe disse apenas: vou casar com esta moça. Desci, conheci-a, nosso namoro foi rápido, o noivado mais rápido ainda, cinco meses e casamos. Já nem sei há quanto tempo tenho estado casado. Porque me parece que já nasci casado.
Eloá foi sempre muito bonitinha, mas muito bonitinha mesmo e conservou os traços de beleza até o fim da vida, embora os cabelos inteiramente brancos. Não envelheceu no rosto, só nos cabelos. Eloá foi sempre disciplinada, ordenada, uma excelente dona-de-casa. Ela sabia bordar, tecer e tocava piano muito bem, além de ter uma excelente conversa.”
Jânio lecionava no Colégio Dante Aleghieri, um dos melhores e mais caros de São Paulo. Os alunos desejavam que ele participasse das eleições a vereador, e D. Eloá passou a empurrá-lo para que ingressasse na política, afinal ele foi eleito, mais adiante, antes que terminasse o mandato, ele foi eleito Deputado, depois prefeito da capital, candidato a Governador, eleito Deputado do Estado do Paraná e depois eleito Presidente da República.
Quando Jânio renunciou à Presidência da República, não deu explicações à D. Eloá. Ele ligou para o Palácio, pediu para que ela arrumasse as coisas pois ele já não era Presidente e que o encontrasse no aeroporto. Ela não fez nenhuma observação. De certo porque acreditava no marido e porque sabia que sem a perda da dignidade, da honra Jânio não poderia continuar.
Se Jânio permanecesse na Presidência, iria se prostituir e seria mais um Presidente. Não um ex-Presidente. Seria mais um.
Maria Tereza Goulart – mais jovem e mais charmosa primeira-dama da História do Brasil; chegou ao poder aos 23 anos – era comparada com Jacqueline Kennedy. Pouco afeita à política, subiu apenas uma vez num palanque com o marido. Foi num comício em março de 1964, antes do golpe que derrubou João Goulart (1961-1964).
Yolanda Costa e Silva – religiosa, mulher de Costa e Silva(1967-1969) apoiou com entusiasmo a campanha de setores tradicionalistas contra uma suposta infiltração comunista nos meios católicos. Adorava moda e promoveu desfiles no palácio do governo.
Rosane Malta Collor – mulher de Fernando Collor de Mello (1990-1992) era forte, influente, muito elegante e moderna.
Ruth Cardoso – professora de antropologia, mulher de Fernando Henrique Cardoso (1995- ) sempre zelou pela privacidade familiar e pessoal. Investe seu tempo no Comunidade Solidária, um programa social que beneficia os municípios mais pobres do país.
(*) é professor universitário, jornalista e escritor












