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Você pode dormir. O seu negócio, não – por Leonardo de Ana

Existe uma mudança que acontece no varejo justamente quando as portas fecham. O funcionamento do comércio foi, por muito tempo, limitado ao horário comercial. Entre 21h e 23h, a maior parte dos pontos de venda encerra suas atividades. Mas o consumidor não segue esse relógio. A necessidade não tem hora marcada: ela aparece no meio da madrugada, em um feriado prolongado, durante um jogo ou em um encontro inesperado em casa. E é aí que entra uma provocação que eu gosto de fazer: você pode dormir, mas o seu negócio não deveria.

Hoje, já é possível operar um varejo que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem interrupções, e mais do que isso, sem depender da presença física constante do empreendedor. Esse não é um cenário futuro, é uma realidade em expansão no Brasil. Segundo dados do Radar Scanntech – Varejo de Vizinhança, desenvolvido para a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados, os minimercados cresceram 5,3% em faturamento em 2025, acima da média do varejo alimentar, que ficou em 4,1%. Proximidade, conveniência e agilidade são os pilares desta expansão.

O próprio calendário reforça essa transformação. Em 2026, teremos dez feriados nacionais, sendo nove em dias úteis, o que amplia significativamente os períodos de consumo dentro de casa. Em levantamentos realizados pela InHouse Market, foi observado que esses momentos podem gerar aumento de até 15% no faturamento em comparação com dias comuns. Isso acontece porque o consumo está migrando. As pessoas passam mais tempo em casa, reúnem amigos, assistem a jogos, descansam. Nesse contexto, a decisão de compra se torna imediata. O consumidor não quer se deslocar, enfrentar trânsito ou filas; ele quer resolver em minutos, sem interromper o momento.

Mas existe um ponto fundamental aqui. Quando eu digo que o negócio não pode dormir, não significa que o empreendedor precisa trabalhar 24 horas por dia. Pelo contrário. A única forma de sustentar esse modelo é com tecnologia, principalmente com o avanço constante de sistemas baseados em inteligência artificial, que acompanham toda a jornada do consumidor dentro da loja. Esses sistemas identificam padrões de comportamento, classificam riscos e geram alertas em tempo real. Isso reduz drasticamente a necessidade de monitoramento manual e permite uma operação contínua e segura.

A gestão também é transformada. O empreendedor ganha flexibilidade para acompanhar o negócio de onde estiver, ajustar estoque, analisar desempenho e tomar decisões com base em dados. O abastecimento pode ser feito em horários alternativos, e muitos operadores conseguem conciliar o negócio com outras atividades.

Mas é importante deixar claro que isso não é um investimento passivo. Existe uma ideia equivocada de que negócios automatizados funcionam como uma aplicação financeira, em que basta investir e esperar o retorno. Não é assim. A tecnologia elimina atritos operacionais e amplia a eficiência, mas a gestão continua sendo essencial. É preciso olhar para o mix de produtos, entender o comportamento do consumidor e acompanhar indicadores de desempenho com consistência.

O que estamos vivendo, no fim das contas, é uma redefinição do que significa estar aberto. Antes, estar aberto era levantar a porta da loja. Hoje, estar aberto é estar disponível no momento em que o cliente precisa, independentemente do horário, do dia ou do contexto. O varejo está cada vez mais integrado na rotina das pessoas, é um serviço que se adapta ao consumidor, e não o contrário.

Por isso, eu reforço: você pode (e deve) dormir. Mas, se o seu negócio quiser continuar relevante nos próximos anos, ele precisa estar acordado.

* Leonardo de Ana é CoCEO e Cofundador da InHouse Market, startup líder em tecnologia para minimercados autônomos 24/7 em condomínios e escritórios. Engenheiro da Computação pela Unicamp, Mestre em Gestão de TI (MSc) e MBA pela IU Kelley School of Business nos Estados Unidos, com mais de 15 anos de experiência internacional em startups de tecnologia e corporações Fortune 50, atuando em diferentes áreas de negócios em 6 países.

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