Passada a euforia de um novo ano, é perceptível alguma diferença em relação às alterações climáticas? O calor continua intenso. Com ele, os riscos de fenômenos extremos, sejam aqueles derivados de desconforto, mal-estar e consequências físicas da temperatura elevada, sejam os fenômenos por excelência: temporais, vendavais, inundações, enchentes, deslizamentos e desmoronamentos.
Isso mostra que a preocupação com as mutações que o aquecimento global não tem data, nem paradeiro. É preciso pensar, incessantemente, o que fazer em uma cidade que foi secularmente impermeabilizada e construída para servir prioritariamente ao automóvel do que às pessoas.
A escassez hídrica merece um espaço à parte nessa reflexão ativa. Sim, porque não é suficiente meditar sobre os problemas, senão enfrentá-los. A longo prazo, seria necessário rever a utilização do solo e devolver à natureza aquilo que dela se extraiu e que reverteu em prejuízo para a cidadania. Exigir que as construções dessem respostas drenantes e verdes. Insistir na adoção do conceito de cidade-esponja, para que em lugar de piscinões, houvesse parques alagáveis. Em lugar do uso intensivo de cimento, concreto, ferro e aço, a solução de acordo com a natureza seria menos dispendiosa e mais eficiente.
O essencial é continuar estudo e trabalho para envolver Poder Público e iniciativa privada, Academia e Terceiro Setor, para dar a São Paulo as respostas que impedirão novas mortes, novas catástrofes e que, diante de eventos inevitáveis, – que não são naturais, mas provocados por nossa atitude – não haja surpresa, mas pronta e efetiva reação.
O PlanClima e o Orçamento Climático de São Paulo existem para isso. Procure conhecê-los e colaborar para que sejam fielmente observados.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.












