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O terreno minado da política – por Almir Pazzianotto

Confesso que o meu candidato a governador do Estado é Tarcísio de Freitas. Dentro das minhas possibilidades trabalharei pela reeleição. Não é o governador perfeito. Em administração pública, entretanto, jamais haverá perfeição. Existem limitações de natureza política, além de outras por igual poderosas, provocadas pela brevidade do mandato, escassez de recursos humanos ou de meios financeiros, embora, neste último aspecto, o Estado de São Paulo disponha de suficiente arrecadação.

Tarcísio de Freitas desembarcou em nosso Estado trazido pelo presidente Jair Bolsonaro. Graças a esse apadrinhamento foi vitorioso nas últimas eleições. Com o padrinho caído em desgraça, por um desses azares da política, qual será o seu desempenho em 5 de outubro?

Este é o tema que em breve artigo pretendo examinar.

Ao chegar a São Paulo o governador fazia a primeira investida no terreno político-partidário. Nesta campanha deverá demonstrar que, em pouco mais de três anos, foi capaz de acumular experiência e popularidade necessárias à reeleição.

 Examinando o cenário, sob a ótica eleitoral, observo que o antigo capitão do Exército mantém ligações próximas com a Polícia Militar. É natural que seja assim. Militares com militares se entendem. Aos meus olhos o governador dedica especial atenção à polícia. A segurança pública tem sido uma das suas preocupações. Prestigia solenidades da PM e bate continência a coronéis.

Proximidade semelhante não observo, entretanto, com o mundo universitário, com esferas jurídicas, artísticas, jornais e jornalistas, círculos sindicais e empresariais. Ao trocar ideias sobre o assunto, ouço pessoas amigas dizerem que o grande prestígio do governador Tarcísio de Freitas é com prefeitos. Que estes lhe garantirão massacrante votação, capaz de superar eventuais dificuldades com o povo da Capital.

A Região Metropolitana de São Paulo, com mais de 20 milhões de habitantes, concentra eleitores em quantidade suficiente para determinar o desfecho de eleições estaduais. Os votos colhidos por candidatos populistas e demagogos, como Guilherme Boulos, revelam, porém, que são eleitores exigentes e não se deixam facilmente iludir. Jair Bolsonaro, entretanto, está fora de cena, e os filhos não dispõem de equivalente capital político, por sinal bastante esvaziado.

O secretariado do governador exerce importante papel nas eleições. Ignoro o número e o nome da maioria dos secretários. Fui Secretário do Trabalho do governador Franco Montoro. Em 1986, o desempenho da Secretaria contribuiu para eleger Orestes Quércia governador. Da Secretaria fui conduzido ao Ministério do Trabalho. Quem é o atual Secretário do Trabalho? Já não temos a mesma quantidade de greves, mas as centrais sindicais, as federações de patrões e de trabalhadores, os sindicatos, exercem relevantes atividades políticas e para a economia. Veja-se o intenso debate em torno da jornada 6 X 1? O que pensa e o que diz o Secretário do Trabalho?  A duração da jornada interessa sobretudo a São Paulo, onde se concentra a maior parte do nosso parque industrial. Creio que o governo paulista não deve permanecer alheio a debates em torno da matéria.

                               Entendo as cautelas do governador. A disputa, todavia, não terá sucesso garantido antes da proclamação dos resultados. Sei que Tarcísio de Freitas conquistou, com simpatia e operosidade, o respeito de paulistas e de paulistanos. O Partido dos Trabalhadores é, contudo, adversário forte, combativo, com experiências acumuladas em dezenas de eleições e muitas vitórias. Usará de todos os recursos para alcançar sucesso em nosso Estado, como caminho à reeleição do presidente Lula.

Este descolorido e despretensioso artigo é escrito com o ânimo de ajudar. Em meio ao oceano de corrupção que afoga o Brasil, o governo de São Paulo permanece inatacável.

Votarei no governador Tarcísio de Freitas. Independo de convencimento. Acompanho o que se passa. Leio jornais, e não ignoro as redes sociais. Serão fortes canais de comunicação na campanha eleitoral. A propósito, para que servem a Rádio e a Televisão Cultura? Como Fundação não devem desempenhar papel político. Por outro lado, pouco informam sobre as realizações concretas do governo do Estado.

Até 5 de outubro o tempo a cada dia se reduz. A campanha está nas ruas. Acredito na reeleição, mas sem subestimar os riscos apresentados pelo PT e demais partidos de oposição. Lula é adversário temível. Fará o que lhe estiver ao alcance, para não ser derrotado em São Paulo.

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Advogado. Foi Ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

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