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Hipertensão, o fator de risco por trás de milhares de AVCs – por Dr. Marcelo Ares

O mês de maio, por conta do Dia Mundial da Hipertensão (17), é marcado pela conscientização para uma condição muitas vezes assintomática, mas perigosa. A hipertensão arterial sistêmica é um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade, especialmente por ser o fator de risco número um para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo.

A pressão alta faz com que o coração realize um esforço maior do que o normal para que o sangue seja distribuído corretamente no corpo devido ao estreitamento ou perda de elasticidade dos vasos sanguíneos. A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em setembro do ano passado, reforça a importância da prevenção ao classificar como pré-hipertensão níveis de pressão a partir de 120 por 80 mmHg, que antes eram considerados ideais.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1,4 bilhão de pessoas vivem com hipertensão no mundo, mas apenas 23% conseguem manter a doença sob controle. Estima-se que 55,7 milhões de brasileiros sejam hipertensos, sendo que 71% foram diagnosticados e apenas 38% conseguem controlar adequadamente a pressão arterial.

A prevalência da doença também tem aumentado. Segundo a pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, o percentual de brasileiros com hipertensão passou de 22,6% em 2006 para quase 30% em 2024.

O impacto da hipertensão se torna ainda mais preocupante quando observamos sua relação direta com o AVC. A Organização Mundial do AVC aponta que aproximadamente 90% dos casos poderiam ser prevenidos com o controle adequado dos fatores de risco, especialmente da hipertensão. Segundo dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil, o Brasil registrou uma morte por AVC a cada seis minutos em 2025.

Além da mortalidade elevada, o AVC provoca sequelas que podem transformar profundamente a vida de quem sobrevive. As lesões neurológicas frequentemente resultam em comprometimentos motores, como fraqueza muscular, perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar e limitações nos movimentos. Essas alterações afetam diretamente a mobilidade, a autonomia nas atividades do dia a dia e, consequentemente, a qualidade de vida. O impacto social também é significativo: cerca de 70% dos pacientes não conseguem retornar ao trabalho após o episódio.

Outro dado que reforça a necessidade de ampliar o controle dos fatores de risco está relacionado ao perfil etário dos pacientes. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde projeta que cerca de 30% dos casos de AVC ocorrem em pessoas com menos de 45 anos, mostrando que o problema já não atinge apenas populações mais idosas.

Quando o AVC acontece, a reabilitação torna-se fundamental para promover recuperação funcional e favorecer a reinserção social. Esse processo exige uma abordagem multiprofissional, envolvendo médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e outros especialistas que atuam de forma integrada para recuperar habilidades e estimular a independência do paciente.

Na AACD, cerca de 9 mil atendimentos a pacientes com sequelas de AVC foram realizados em 2025. Além do processo de reabilitação, a instituição também atua fortemente na orientação e prevenção de novos episódios.

Controlar a pressão arterial é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de AVC. Isso envolve manter hábitos de vida saudáveis e realizar acompanhamento médico periódico. Mais do que tratar a doença, é fundamental evitar que ela se desenvolva ou avance, garantindo um futuro com mais autonomia e saúde.

*Dr. Marcelo Ares é fisiatra e coordenador médico da AACD

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