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Imitemos os gansos! – por Sorayah Câmara

O artigo 3º, inciso I, da Carta Magna (princípio constitucional da solidariedade) expressa um comando dirigido a toda a nação brasileira, ou seja, devemos estar atentos para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Desde seu preâmbulo, a Constituição Federal de 1988, qualifica a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade mais que tudo “fraterna”.
A verdadeira comunhão de vida ou vida social deve se dar em clima de solidariedade.

Construir uma sociedade solidária é reconhecer que a sociedade existente no momento da elaboração constitucional não era livre, nem justa e nem solidária.

Portanto, cabe ao Estado a tarefa de construir não a sociedade porque essa já existia, mas construir a liberdade, a justiça e a solidariedade.

Elaborar uma ordem de homens livres, com justiça e em que o sentimento de responsabilidade e apoio recíprocos solidifique a ideia de comunidade fundada no bem comum.

Teria “fraternidade” e “solidariedade” o mesmo significado?

No dicionário Aurélio, “fraternidade” é amor ao próximo, harmonia, paz, comungar das mesmas ideias; “solidariedade” seria a relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar o (s) outro (s).

A solidariedade, ao contrário do individualismo, considera o semelhante como elemento essencial na solução dos problemas sociais.

A vida em sociedade sempre foi uma necessidade humana elementar.

Na verdade, todos nós necessitamos uns dos outros em certos momentos da vida e quem sabe até diariamente.
O ser humano é solidário quando sofre do mesmo mal que aflige o seu semelhante.

Enfim, o homem se sensibiliza, notadamente, com aquilo que os seus olhos veem. E o sentimento de comoção ocorre quando o indivíduo reconhece que o infortúnio alheio é real e que o desespero demonstrado pelas pessoas é sincero.

Então, o ser humano quase sempre se torna solidário!

É o caso, também, do homem se sensibilizar pelos diversos desastres da natureza ocorridos em todo o mundo, além do problema da fome em vários países do continente africano, situações estas que ensejam a entrega expressiva de donativos.

Portanto, é inegável que o artigo 3º, inciso I, da Carta Magna expressa um comando dirigido a toda a nação brasileira, ou seja, de que devemos basear as nossas ações com foco na construção de uma sociedade livre, justa e “solidária”.

Conta-se que os gansos vivem em formação e lutam pela sobrevivência juntos. Quando um ganso fica doente ou é ferido pelo tiro de um caçador desalmado e cai, dois gansos saem em formação e o acompanham para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que consiga voar novamente ou, então, morrer.

Este relato sobre os gansos é um belo exemplo de solidariedade, pois não são animais “racionais” como nós, seres humanos.

Imitemos os gansos!

“O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”.
Madre Teresa de Calcutá (1910 – 1997), missionária católica macedônia.

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