O junho europeu foi um espetáculo de estupefação: mais de mil mortes na França, em virtude do calor excessivo. Houve suspensão das aulas e um alerta geral. Em menos de um mês, é a segunda onda de calor a atingir milhões de europeus. Há um consenso científico de que a mudança climática provocada pela atividade humana intensifica os fenômenos meteorológicos extremos.
A França já passou por isso em agosto de 2003, quando mais de 70 mil mortos foram levados a óbito em virtude do excessivo calor por duas semanas. Mas é o que acontece também em São Paulo, a maior cidade do Brasil. O excessivo uso de combustível fóssil torna o ar irrespirável. A solução seria proibir a circulação em algumas áreas, convertendo boa parte do centro como região exclusiva para pedestres. E plantar mais! Quanto mais árvores, menos calor.
Enquanto isso, presidentes da Petrobrás e da Firjan fazem declarações surreais: “Não temos vergonha de produzir petróleo. Não tem Plano Clima se não tiver sociedade, né? Então é muito fácil, olha, fecha tudo, vamos todo mundo para a selva e vamos ter um ar maravilhoso”, disse a primeira. E o segundo saiu com esta pérola: “O Rio de Janeiro é petróleo, veste petróleo, se movimenta com petróleo, vive e constrói com petróleo”.
Como disse o jornalista Reinaldo José Lopes, “leis do dinheiro não vencem as da natureza”. No dia em que faltar água e comida, de que servirá o petróleo? A boa fortuna reservou para São Paulo um prefeito que cuida do verde e da natureza e que sabe a nocividade do combustível fóssil. Ricardo Nunes continua a prestigiar a sua política de mudanças climáticas, porque pensa nas pessoas, não apenas no orçamento.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo.












