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Efeito cascata do calor extremo – por José Renato Nalini

As ondas de calor, que em São Paulo já matam mais do que as de frio, as inundações e deslizamentos, afetam também a vida dos bebês. Pesquisadores da USP e do Insper, ligados ao Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância detectaram o efeito cascata do calor extremo. As alterações provocadas na gestação podem comprometer o crescimento fetal, antecipar o parto e influenciar aspectos físicos, cognitivos e emocionais das crianças.

A pesquisa analisou quase mil bebês nascidos em maternidades públicas de Ribeirão Preto, entre 2023 e 2024, comparando os dados com informações de mais de 12,7 milhões de nascimentos registrados no Brasil.

O impacto das ondas de calor, períodos de pelo menos três dias consecutivos com temperatura acima de 35 graus, sobre os desfechos do nascimento, foi cientificamente comprovado. Cada dia adicional de exposição na gravidez foi associado a uma redução média de 17,4 gramas no peso do bebê e de 0,1 centímetro no comprimento.

Quanto mais demorada a exposição, maior a perda de peso. Se a mãe esteve seis dias exposta ao calor, a criança registrou cem gramas a menos. E isso também causou complicações hipertensivas, pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

Essa pesquisa científica evidencia o acerto do Prefeito Ricardo Nunes ao levar a sério a questão climática e a determinar especial atenção para as altas temperaturas. Funciona em São Paulo um esquema de atendimento às pessoas quando o calor aumenta de forma excessiva. Quem já não verificou as tendas montadas em lugares bem frequentados, onde as pessoas podem tomar água, comer uma fruta, descansar e ter avaliada a sua condição física, assim como temperatura e pressão?

Essa preocupação tem de chegar a todos os lares, pois não são apenas as grávidas que sofrem com o calor demasiado. São as crianças, os idosos, as pessoas portadoras de necessidades especiais. E todos também devem se conscientizar de que a melhor tecnologia para reduzir as altas temperaturas é o plantio de árvores. As árvores reduzem até dez graus na temperatura ambiente. Por isso, São Paulo precisa de muitas árvores além daquelas que já possui. Ajude a plantar árvores em sua cidade!

*José Renato Nalini é Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.    

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