Caros amigos,
Como afirmei no meu último artigo, no Blog The Eagle View:
“O relatório da Polícia Federal extraído desse caso e entregue ao Ministro Relator do inquérito do Banco Master, revelou conversas explícitas de Vorcaro com outro Magistrado do STF, com o Procurador da República, pedidos de intervenção aludindo à figura do Diretor Geral da PF e do Presidente do BC, conversas sobre prazos de operações, além de repasses milionários disfarçados de honorários advocatícios para familiares de magistrados da Suprema Corte.
As gravíssimas suspeitas que recaem sobre o comportamento dos chefes da PGR e da Polícia Federal, geram quadro de risco para o próprio Vorcaro – preso sob custódia deles.
O pedido de nulidade absoluta formulado pelo Procurador-Geral da República, as fortes retaliações internas do Ministro comprometido, a guerra de relatorias no Supremo Tribunal e o comportamento sintomático da chefia da Polícia Federal, revelam um quadro patético: estão devorando uns aos outros. Escancaram um ensaio de mútua proteção, cinismo, canibalismo institucional e autofagia.”
Assim, neste quadro de autofagia institucional, devemos separar as coisas de forma clara.
O cenário atual expõe uma divisão nítida entre quem, no STF, exerce legítima jurisdição e quem procura protagonizar uma reação política.
De um lado, quem judica é o ministro André Mendonça.
Ptimeiro, por ser juiz natural da causa – relator do inquérito no qual avaliou o afastamento da cúpula da PF como um ato de prevenção criminal urgente, fundamentado na necessidade de estancar crimes graves — como stalking aos magistrados e ao AGU – visando constrangê-los no curso do processo, tortura e risco de vida contra o preso Daniel Vorcaro e obstrução de investigação em curso.
Assim agindo, dentro das normas e sob revisão do plenário, visou garantir a higidez da atividade judiciária e a viabilidade de uma delação que atinge o topo do Judiciário, da PGR e da polícia federal.
De outro lado, quem politiza é o governo – via AGU, e o arranjo de mútua blindagem institucional que envolve até ministros engajados no imbróglio.
A forte reação ao ato e a tentativa de travar os procedimentos, articulada pelo regime, pelo envolvido Ministro Moraes e, agora, pelo Ministro Flávio Dino, possuem caráter puramente político. Operam de forma evidente para postergar as apurações e proteger envolvidos.
Simples assim.
A pior judicatura da história do Brasil, busca um abraço de afogado com o regime de consórcios de mútuos interesses, que ela própria tratou de excretar.
Ambos seguirão solertes para a latrina da história… E a descarga já foi acionada.

Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor estratégico e ambiental. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados, é diretor da AICA – Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo Blog Analítico The Eagle View.











